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DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E A NEGAÇÃO SOCIAL

DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E A NEGAÇÃO SOCIAL

Segundo estudo bibliográfico, a negação social está intrinsecamente ligada á deficiência, pois as diferenças são ressaltadas como falhas, carências ou impossibilidades de se tornar “mais”.

Andrade (2000, p. 55) afirma que: “durante muito tempo as pessoas com deficiência estiveram em situação de manifesta sujeição, que chegou a criar, até, condições de marginalidade. O movimento reivindicatório teve início quando começou seu processo de autovalorização e elas passaram a se reconhecer como integrantes de um grupo” (ANDRADE, 2000, p. 55).

Neste ambiente todos se adaptam nos papéis, distanciando-se cada vez mais. A autora Vash (1988) utiliza três características para descrever a desvalorização das pessoas que apresentam algum tipo de deficiência: a consideração do preconceito como biologicamente determinado, o questionamento psicossocial no qual o diferente é menos tolerado e a denominação político-econômico que define que essas pessoas só serão mais e mais custos a família e ao governo.

A história da construção dos direitos humanos das pessoas com deficiência compreende quatro fases: a) uma fase de intolerância em relação às pessoas com deficiência, em que a deficiência simbolizava impureza, pecado, ou mesmo, castigo divino; b) uma fase marcada pela invisibilidade das pessoas com deficiência; c) uma terceira fase orientada por uma ótica assistencialista, pautada na perspectiva médica e biológica de que a deficiência era uma “doença a ser curada”, sendo o foco centrado no indivíduo “portador da enfermidade”; e) finalmente uma quarta fase orientada pelo paradigma dos direitos humanos, em que emergem os direitos à inclusão social, com ênfase na relação da pessoa com deficiência e do meio em que ela se insere, bem como na necessidade de eliminar obstáculos e barreiras superáveis, sejam elas culturais, físicas ou sociais, que impeçam o pleno exercício de direitos humanos (PIOVESAN, 2013, p.296).

 

Até pouco tempo as pessoas com algum tipo de deficiência não apareciam na mídia, elas não tinham representatividade. Esse vácuo acontecia e ainda acontece por causa dos modelos estéticos que a indústria quer.

Mesmo quando existe interesse e desejo de realizar uma boa cobertura, os jornalistas se deparam com a desinformação sobre aspectos educacionais, jurídicos, técnicos, médicos, éticos e políticos [...] Não há preocupação em divulgar serviços relacionados à melhora da qualidade de vida de crianças, adolescentes, adultos e idosos com deficiência. Mais de 60% das matérias analisadas só ouviram uma fonte. Na maioria delas tampouco há clareza sobre os direitos desses cidadãos. E quase sempre a entrada da questão na pauta dos meios depende de eventos organizados por entidades interessadas na causa da agenda de órgãos oficiais (VIVARTA, 2002, p. 35).

Apesar das dificuldades, hoje intransponíveis, que impedem a realização de um diagnóstico profundo do problema, podemos apontar alguns aspectos da sua realidade, tais como: inexistência de sistema nacional que promova a prevenção de deficiências; atendimento apenas de pequena, reduzida, parcela da população portadora de deficiência quanto à educação, saúde, previdência, assistência social e trabalho; concentração dos poucos recursos e mecanismo de atendimento nos principais centros urbanos; ausência de integração profissional e social da pessoa portadora de deficiência; carência de profissionais habilitados, em número bastante, para o atendimento dessas pessoas; falta de integração entre as várias ações governamentais que tratam da situação-problema em tela (BRASIL,1986).

Muitas vezes este indivíduo vai à escola todos os dias e vê seus colegas participando de aulas de educação física ou artes enquanto ele fica amarrado à cadeira de rodas, sem mexer nem as mãos. De acordo com a Declaração de Salamanca, 1994: Aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, que deveria acomodálos dentro de uma Pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades. Escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos (Brasil; Ministério da Educação 2013).

Mundo Adaptado
RODRIGO RIBEIRO
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Professor da rede pública de ensino da prefeitura de São Paulo, comprometido com a educação inclusiva e pai de uma criança com TEA. Pós graduação em Educação especial e Def. Fisica; Ludicidade e psicomotricidade e Necessidades educacionais especiais.

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