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Um exemplo de Universidade preparada para a educação inclusiva!

Um exemplo de Universidade preparada para a educação inclusiva!
DANIELE CRISTINA DE SA
fev. 6 - 5 min de leitura
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Hoje eu gostaria de compartilhar uma história de sucesso que aconteceu aqui no meu estado, na cidade de Cascavel no Paraná, no ano passado, onde a primeira aluna com tetraplesia decorrente de um AVC (condição caracterizada por ausência de movimentos nos membros superiores e inferiores), onde perdeu a fala, porém a sua parte intelectual permaneceu intacta, se formou em Medicina.

Neste caso, a Universidade “permitiu” e se adaptou para que a aluna estivesse junto com os demais colegas em sala, com o auxílio da família e de uma psicopedagoga como facilitadora da comunicação da aluna com os demais colegas e professores em sala de aula. O acompanhamento das aulas ocorria através da soletração (comunicação realizada pelo olhar e uma tabela com letras divididas em cinco grupo).

“No entanto, é preciso que a legislação sobre acessibilidade da pessoa com deficiência no ambiente universitário seja mais respeitada, e o atendimento das especificidades de cada tipo de deficiência sejam implementadas tanto por instituições públicas como por instituições privadas”. (BORDAS, 2009, p.31)

 

Este é um exemplo de sucesso de educação inclusiva, de trabalho em parceria entre a escola, equipe multidisciplinar, família e sociedade. Conforme BORDAS (2009, p. 36):

“Além disso, a criação de um laboratório de apoio pedagógico, onde o aluno contasse com a ajuda de tecnologias e profissionais, tais como: pedagogo, psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, profissionais da computação entre outros, disponíveis para criar soluções tecnológicas e pedagógicas para o atendimento ao estudante”.

 

Cabe às Universidades reformularem não só a sua metodologia de ensino, mas também a forma de entrada e aprovação dos alunos (vestibular) com as mais diversas características físicas e intelectuais. Para BORDAS (2009, p.32): “Devemos considerar que a Universidade não pode ser indiferente à diferença”.

Uma prova classificatória exige que todos os alunos interessados em ingressar na universidade tenham o “mesmo padrão” de desenvolvimento psicossocial e educacional, distanciando-se cada vez mais da realidade de uma educação inclusiva.

Mesmo com poucos exemplos de educação inclusiva, as escolas ainda precisam de políticas de educação e recursos que incluam este tema na estrutura atual da pauta de educação, além da mudança na mentalidade de educadores, alunos e sociedade no que diz respeito à educação para as diferenças.

“Aspectos como as condições didático-pedagógica de trabalho de professores, comprometida pela falta de tecnologias de ajuda para operacionalização de um processo de aprendizagem e inclusão deste aluno de modo pleno, encontram-se entre os principais obstáculos verificados no referido estudo”. (BORDAS, 2009, p.31)

 

Outro fator importante é o envolvimento da sociedade, bem como das organizações de pessoas com dificuldade de aprendizagem na questão da educação inclusiva. Será que todos estão preparados e tem conhecimento suficiente, além de preparo psicológico para lidar com a inclusão? Fica o questionamento de qual é o papel da sociedade para que a educação inclusiva seja de fato uma realidade presente em todas as escolas.

O aluno com necessidade educativa especial só estará integrado na escola/universidade se também receber um suporte emocional e psicológico do seu núcleo familiar. É este núcleo quem vai estimular e ensinar as habilidades e o comportamento deste aluno em sociedade. É o processo de aprender que vai desenvolver os alunos nas suas máximas potencialidades, independente de ter ou não deficiência. Para BORDAS (2009, p. 152): “É nessa relação mediada pelo adulto que a criança se apropria do patrimônio cultural acumulado pela sociedade”.

A família pode ser considerada como mediadora entre a criança e a sociedade. Destaca-se o fato desta interação também ser citada no artigo da Declaração de Salamanca (1994):

“A participação da comunidade deve ser capaz de complementar as atividades realizadas na escola, prestando apoio aos trabalhos de casa e compensando as carências do apoio familiar. Cabe reconhecer aqui o papel das associações e movimentos da juventude, assim como o papel potencial dos idosos e outros voluntários – incluindo as pessoas com deficiência – tanto nos programas realizados nas escolas como fora deles”.    

  

          É no exemplo com a família, em suas atividades diárias, que o aluno se sente acolhido e se fortalece para os desafios da escola/universidade e da sociedade.

Referências: 

  1. Após perder todos os movimentos e a fala em AVC, estudante se forma em Medicina no Paraná | Oeste e Sudoeste | G1 (globo.com)
  2. BORDAS, M. A.; DIAZ, F.; GALVÃO, N. C. S. S.; MIRANDA, T. G.; (ORG). Educação Inclusiva, Deficiência e Contexto Social: Questões Contemporâneas. Salvador: EDUFBA, 2009.
  3. CHAUÍ, Marilena. A universidade pública sob nova perspectiva. Ver. Bras. Educ., Rio de Janeiro, nº 24, 2003. Disponível em www.scielo.com.br
  4. NUNES, S.S; SAIA, A.L. e TAVARES, E. Educação Inclusiva: Entre a História, os Preconceitos, A Escola e a Família. Artigo: Psicologia, Ciência e Profissão, Brasília, Conselho Federal de Psicologia, 2015. Disponível em www.scielo.com.br.      
  5. Declaração de Salamanca. Disponível em https://pnl2027.gov.pt. 





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