A Paralisia Cerebral - Leãozinho Leo Cap.5
[ editar artigo]

A Paralisia Cerebral - Leãozinho Leo Cap.5

O texto abaixo faz parte da história de superação do meu filho Leonardo (Leãozinho Leo), a qual estou contando em etapas. O objetivo é que possamos ajudar pais e mães que estão passando por situações difíceis, ganharem força e coragem. A vocês, o que posso dizer é algo que aprendi lendo um livro que ganhei de uma grande amiga e mãe de UTI, mãe que me ensinou o poder da fé:

"Saibamos que Deus tem estradas para você aonde os médicos não encontram mais caminhos" . (Livro: O médico Jesus)

 O PRIMEIRO MOMENTO APÓS O PARTO NEONATAL

Acordei horas mais tarde, com muita dor e sozinha na UTI. Ainda era de madrugada e os barulhos dos aparelhos estavam por toda parte. Olhei para cima e vi um oxímetro ( Acessório indicado para monitorar os níveis de saturação de oxigênio no sangue e a frequência cardíaca), e estava marcando 93% de saturação. Teoricamente ok, mas eu sentia dificuldades para respirar e muita, mas muita dor.

Pedi ajuda para uma enfermeira e disse a ela que eu não conseguia movimentar minhas pernas e meu quadril, pois a sensação de cada mínimo movimento, era que estava sendo rasgada por dentro. Então, com muito esforço, ela conseguiu me virar de lado. Lembro dela ter dito que aparentemente eu não havia tomado medicações para dor, porque não constava em prontuário. Tomei a medicação, e dormi.

Não tenho ideia do horário que acordei, só lembro que foi quando o café da manhã chegou. Meu marido se dividia entre a UTI Neonatal e a UTI Adulto, e as notícias que eu recebia era que o Léo estava em estado muito grave, e lutando pela vida. Lembro ter agradecido muito a Deus por estarmos vivos, eu e meu filho. 

Estranhamente quando me recordo desse dia, lembro que certa vez, um médico homeopata, que veio a se tornar um dos nossos médicos mais próximos, perguntou:

''Qual momento você se lembra, desde o nascimento do Léo e em todo o período que passou no hospital, que você se sentiu mais feliz?''

E eu respondi a ele, depois de passar um filme em minha cabeça:

'' Foi o período pós parto, as primeiras horas que estava sozinha na UTI.''

Expliquei a ele que o motivo era o sentimento de alívio, pois apesar de estar totalmente imobilizada, eu e meu filho estávamos vivos. Não tinha a menor noção do que estava acontecendo, e não entendia direito o tamanho da gravidade. Eu chorava de alegria por estarmos simplesmente VIVOS. Foram momentos de calmaria, leveza, mesmo com dores do parto.

Nas idas e vindas da UTI Neonatal que eu marido fazia até a UTI aonde eu estava, queria saber tudo, ver fotos, os mínimos detalhes...E mesmo pensando que eu tinha noção do tamanho de um bebê prematuro de 25 semanas (5 meses e 15 dias) era difícil de imaginar.

No período da tarde, meus pais e minha irmã, grávida de 7 meses, chegaram a São Paulo. Foram direto a UTI adulto e conseguiram ficar um pouco comigo. Fiquei preocupada com a minha irmã pois havia falado a ela para não fazer uma viagem longa assim, que eu não ficaria chateada se ela não viesse me visitar. Ela sorriu e disse que o que aconteceu comigo não era comum e que não era para me preocupar daquele jeito, pois ela estava bem.

Pedi a ela que ao visitar o Léo, conversasse com ele, pois como temos a voz parecida, talvez ele pudesse sentir um pouco da minha presença por perto. Mas eu não tinha ideia que dificilmente ele ouviria ela falar pois estava dentro de uma Incubadora (Equipamento que proporciona a um recém-nascido um ambiente termoneutro, controlado pelos fatores fluxo de ar interior, umidade e temperatura). Enfim, esses eram sentimentos do meu desejo de querer estar lá, loucura de uma mãe inconformada em não poder levantar da cama para ver seu filho.

Então meus pais e irmã foram até o andar da UTI Neonatal e conseguiram visitar o Léo. Lembro dos rostos deles no retorno, tentando segurar a emoção para não me abalar e me ajudando com palavras de motivação, fé e coragem.

Naquele período, a forma que eles se portaram foi muito importante para mim. Eu só escutava frases de motivação e força da minha família e do meu marido, mas imagino o quanto era difícil para todos. 

Amanheceu...Eu esperava ansiosamente pelo meu marido, mas ele demorava a aparecer. Combinamos que ele voltaria por volta das 9hs e isso não aconteceu. Eu não tinha notícias do bebê....

Quando era meio dia, ele entrou no quarto da UTI, com um olhar diferente. Contou que demorou a retornar porque ao chegar em casa por volta das 2hs horas da manhã, depois de todos os sustos que passamos, mal abriu a porta e o telefone tocou. Era novamente do hospital, pedindo para ele ir a UTI Neonatal, pois o pediatra de plantão precisava conversar.

Ao retornar ao hospital, ainda na madrugada anterior, ele foi comunicado que o Léo teve um sofrimento grande no parto, hipóxia (diminuição ou ausência do oxigênio que deve ser recebido pelo feto através da placenta) e parada cardio-respiratória, como já sabíamos. Fizeram um ultrassom no cérebro e infelizmente foi constatado hemorragia  intracraniana, e como ele nasceu em meio a uma sepse, seu estado teria se agravado ainda mais. As chances de sobrevivência eram em torno de 1% e o quadro era gravíssimo. 

Eu não acreditava naquela notícia. Olhava para ele sem reação enquanto ele falava e explicava, tomando cuidado porque eu também estava sob cuidados. Foi quando ele disse o termo ''Paralisia Cerebral''. Com a hemorragia intracraniana, houveram lesões no cérebro, em partes importantes do Cerebelo, Córtex e Tronco Cerebral.

Mais uma vez tudo rodava em minha cabeça. Por mais que ele quisesse me falar com calma e com carinho, eu sabia o que aquilo significava. A emoção tomou conta de mim.

Eu não sabia o que dizer... chorei muito... Meu marido olhava para mim com uma força que eu jamais tinha visto, e falava que para ele não interessava o diagnóstico, o Léo estava lutando pela vida e ele queria nosso filho de qualquer forma e que iria fazer o impossível para ele sobreviver.

Eu ainda estava sem chão...Ele tentando me consolar...Disse que até eu sair da UTI, ele faria vídeos do nosso filho para mim. E era isso que me consolava nos quase 4 dias que passei naquele ambiente. Meu filho tinha a força de um Leão e eu jamais desistira dele.

Enquanto houvesse vida, haveria esperança! 

 

Já leu o capítulo anterior da história do Leãozinho Leo?

Caso queira se inteirar de toda história do Leãozinho Leo, entre no link abaixo:

https://mundoadaptado.com.br/blog/o-trauma-do-nascimento

Ou acompanhe todos os textos da história do Leãozinho Leo aqui:

https://mundoadaptado.com.br/leo/t

 

 

 

 

Mundo Adaptado
Carla Delponte
Carla Delponte Seguir

Empreendedora Social, Atriz, e mãe do Léo, um leão guerreiro!

Continue lendo
Indicados para você