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Podcast Papai Atípico: Elton e a perda

Podcast Papai Atípico: Elton e a perda

A conversa com Elton foi, antes de mais nada, sobre lembranças. Do início ao fim, o que eu ouvia era um homem abrindo seu álbum de fotos sem pensar duas vezes. Não havia vergonha, tampouco timidez. Estavam lá o orgulho das próprias lágrimas e a certeza no peito de ter vivido uma aventura breve, sim, mas daquelas a serem contadas para todo o sempre. 

"Não seria melhor Dora ter partido?" é uma pergunta que me acompanhou como uma velha amiga, em minha solidão a caminhar na calçada. Depois apareceu em um canto de pássaro em uma manhã ensolarada de sábado. Vira e mexe, o balanço, logo ali no parquinho embaixo da janela do quarto de minha menina, ecoa a questão no fundo de minha cabeça, bem na nuca. 

É quando olho pra minha esposa e seu olhar apaixonado para nossa filha. É quando a voz do Elton sussurra o enredo de sua paternidade. É quando olho para a areia a escorrer na ampulheta do tempo e conto mais grãos de tristeza do que de alegria. A dor também é por não me permitir o desfrutar de ser pai. Por já ter vivido um luto de minha menina e ter a sensação de que me apegar a ela fará uma segunda perda ser insustentável.

Não precisei compartilhar minha dúvida com o Elton, pois a resposta para ela e o porquê são muito claros: ele próprio e sua vida. E é em seu exemplo que minha interrogação dá lugar ao ponto final.

 

Mundo Adaptado
Guilherme Bucco
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Editor de vídeo, começou a compartilhar as reflexões de sua paternidade atípica, como forma de compreender as mudanças em sua vida com a chegada de Dora, sua filha, que teve hipóxia no nascimento e tem epilepsia de difícil controle.

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