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O brincar como direito de aprendizagem

O brincar como direito de aprendizagem

O Brasil não tinha até hoje um referencial nacional claro e obrigatório, no que diz respeito a explicitar o que é de direito aprender na escola. A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR  (BNCC)  é obrigatória e traz objetivos de aprendizagem para cada ano escolar, assim como estabelece objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para as diferentes faixas etárias e segmentos escolares.

A BNCC estabelece conhecimentos, competências e habilidades que se espera que todos os estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade básica. Orientada pelos princípios éticos, políticos e estéticos traçados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, a Base soma-se aos propósitos que direcionam a educação brasileira para a formação humana integral e para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. (MEC,2019)

 A BNCC indica seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento para o segmento da Educação Infantil. São eles: conviver, brincar, participar, explorar, expressar, conhecer-se.

Precisamos dar importância a comunicação corporal, pelos gestos e movimentos que são orientados e desafiados pelo BRINCAR.

- BRINCAR como fonte de criação, inspiração, imaginação, de desejos, de desafios, de curiosidades e felicidade;

- BRINCAR com regras, sem regras, com vencedor ou não, de forma cooperativa, integrada;

- BRINCAR coordenado ou livre, espaços variados;

- BRINCAR para todos independente de suas limitações com respeito as diferenças.

Enquanto educadora sempre utilizei o brincar como motivação para despertar a aprendizagem dos alunos. Independente do ano escolar, das faixas etárias, das modalidades de disciplina ou das dificuldades e limitações de cada aluno. O brincar em formato de gincana temática interdisciplinar, o brincar como resgate cultural das brincadeiras antigas integrado com as famílias e comunidade escolar e na atualidade adaptando e mesclando os jogos digitais como recurso de aprendizagem que podem auxiliar como propostas criativas e emancipatórias.

Segundo pesquisadores, o ser humano nasce e cresce com a necessidade de brincar, sendo uma das atividades mais importantes na vida do indivíduo.  É uma atividade que faz parte do dia a dia, ela se transforma em um meio de comunicação e expressão, associando o pensamento e a ação. Por meio das brincadeiras, sabe-se que é possível trabalhar as potencialidades, limitações, habilidades sociais, afetivas, cognitivas e físicas.

BNCC é um grande avanço para a educação brasileira, pois abre oportunidades para uma educação mais inclusiva, que parta do olhar para o aluno e suas singularidades, valorizando suas potencialidades, não apenas identificando suas dificuldades e limitações. Ela amplia as possibilidades para que as escolas busquem novas alternativas para ensinar a todos. Sendo assim, dialoga com os princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), que são:

• Proporcionar diversos meios para a aprendizagem

• Proporcionar diferentes formas para expressão do que foi aprendido

• Manter a motivação e permanência dos estudantes

Desde pequena que as crianças precisam ser estimuladas ao brincar, devemos saber que ao brincar a criança desenvolve o exercício da fantasia e da imaginação, adquirindo, assim, experiências que irão contribuir para a vida adulta.

Brincar é coisa séria, também, porque na brincadeira não há trapaça, há sinceridade engajamento voluntário e doação. Brincando nos reequilibramos, reciclamos nossas emoções e nossa necessidade de conhecer e reinventar. E tudo isso desenvolvendo atenção, concentração e muitas habilidades. É brincando que acriança mergulha na vida, sentindo-a na dimensão de possibilidades. No espaço criado pelo brincar nessa aparente fantasia, acontece a expressão de uma realidade interior que pode estar bloqueada pela necessidade de ajustamento às expectativas sociais e familiares. (VIGOTSKY, 1994)

 O Desenho Universal para a Aprendizagem  (DUA) foi constituído com a necessidade de universalizar o acesso à educação para todos, assegurar que todas as pessoas – crianças, jovens e adultos – tenham oportunidades educativas que vão ao encontro das suas necessidades de aprendizagem e promover a equidade constituem preocupações fundamentais assinaladas na Conferência Mundial sobre Educação para Todos. (UNESCO, 1990)       

Sendo assim, o aprender integrado, alegre e motivador. Por meio do brincar é possível garantir esse aprendizado para que de fato aconteça a educação para todos. Não se trata apenas de adaptar o conteúdo curricular para os alunos da educação especial, pois o currículo corresponde ao conjunto de conteúdos que devem ser abordados pelos educadores em cada nível de ensino. Um currículo fundamentado na perspectiva inclusiva precisa estar alinhado com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e ser flexível, ao mesmo tempo, dialogar com as particularidades sociais, culturais, regionais e os diferentes modos de aprender de cada estudante.

Assim, enquanto famílias precisamos incentivar o brincar e a  escola precisa incluir currículos flexíveis e não diferenciados, fortalecidos pela BNCC. Com adequação de objetivos propostos na adoção de estratégias alternativas como o BRINCAR para TODOS.

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Mundo Adaptado
Maria de Lourdes  Moraes Pezzuol
Maria de Lourdes Moraes Pezzuol Seguir

Professora da rede pública do estado de S.P, atua no Atendimento Educacional Especializado (AEE) para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), é membro da Ong Grupo Fazer O Bem.

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