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Qual o nosso papel na desmistificação da deficiência?

Qual o nosso papel na desmistificação da deficiência?

Outro dia escrevi sobre solidão e nessa semana publicamos aqui um vídeo super emocionante falando sobre a solidão materna e de situações que todas nós passamos com nossos filhos.

Várias coisas me chamaram atenção naquele vídeo e em alguns momentos foi tão fundo que foi impossível segurar as lágrimas. Para quem não viu, assista! Tenho certeza que você irá se identificar.

Dentre tantas partes que me chamaram atenção, a que falava sobre a (não) vida social  das nossas crianças me tocou profundamente. A reflexão dura sobre a dificuldade delas fazerem amizades, de levarem uma vida mais feliz, de terem acesso à escola e parentes dispostos para os levarem para um passeio despretensioso.

Outro dia conversando com a Carla ficamos pensando na nossa parte dentro desse processo. Algumas pessoas querem se aproximar, querem interagir, porém não sabem como. As vezes sentem vergonha, as vezes medo de perguntar e nos ofender, as vezes simplesmente não imaginam que nossos filhos(as) são crianças que adoram brincar, ter atenção, ouvir histórias...

Meu filho sofreu e ainda sofre para brincar com as outras crianças. Ele não pula. Ele não corre tão rápido na corrida. Ele tem dificuldade em chutar uma bola e coordenar passo e chute. Ele não se

Mas, e quanto a nós? Nós que batemos na tecla que nossos filhos não são coitadinhos, nós que queremos mais espaço e inclusão: qual é nosso papel nessa desmistificação?

Desde esse dia da conversa com a Carla tenho me esforçado para "ajudar" as pessoas a quebrarem o gelo. Confesso que não é fácil e nem sempre tenho disposição. Mas, se percebo uma pessoa mais simpática com ele já vou logo criando diálogo entre eles. Faço uma brincadeira ali outra aqui e logo estão interagindo.

Outra coisa que percebi: as pessoas nem sempre sabem até onde podem ir. Há alguns dias tivemos festa de uma amiguinha da escola no parque. As crianças correndo para lá e para cá e meu Pedro acanhado perto da gente só observando. Precisei superar minha própria timidez e inseri-lo no grupo; incentivar para que entrasse na brincadeira ao modo dele; lidar com o meu próprio receio de que ele fosse ser deixado de lado...

Sim, precisei contornar as minhas questões! Após tantas coisas vividas, aprendi a ver em mim atitudes que atrapalhavam o desenvolvimento social do meu filho. A superproteção e a descrença no respeito a diversidade me fizeram poupar dias no parque, idas a praia, jantar com amigos e outras várias situações.

Para minha alegria encontrei apoio de pais de crianças sem deficiência. Um dos pais foi incrível inserindo o Pedro na roda de futebol e o chamando de "amigão" mesmo ele com o chute fraco e descoordenado. Uma das mães abriu espaço para o Pedro na roda de "corre-cutia" e "passa anel" sempre dando uma ajudinha a mais para o meu menino.

As crianças? Brincaram com ele e em nenhum momento disseram "você é ruim/não sabe brincar". Vi que algumas tinham afinidade com ele, outras menos. Então, pensei que no mundo adulto também acontece assim.

Por fim, gostaria de te dar um abraço e dizer: coragem se você sente medo/incômodo/acha impossível que seu filho tenha mais convívio social! Se nós não acreditarmos, quem fará? Têm muitas pessoas bacanas no mundo que são humanas, carinhosas, respeitam a diversidade e estão a fim de fazer um mundo melhor. Permita-se e dê essa chance a você e ao seu/sua filho/filha. O amor não tem deficiência.

 

 

Mundo Adaptado
Beatriz Yuki
Beatriz Yuki Seguir

Jornalista, mãe do Pedro - um menino adorável que nasceu prematuro com 25 semanas de gestação.

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