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"Não, eu não quero que meu filho estude na sua escola!"

Eu tentei não ser rude. Estava dirigindo quando recebi a ligação de um número desconhecido e decidi atender porque na minha profissão é comum números que não estão salvos na agenda ligarem.

A princípio eu não entendi o nome da voz feminina que falava comigo, mas reconheci o nome da escola que aqui vou apelidar "carinhosamente" de "EscolaModerninhaMelhorDaRegião". Entendi que era algo sobre alguma atividade que fariam no fim de semana, mas não escutei sobre o que era.

Já tinha ficado surpresa por receber a ligação da "EscolaModerninhaMelhorDaRegião" que há anos atrás tinha negado de forma indireta vaga ao meu filho que é deficiente físico. Ainda assim achei por bem perguntar novamente do que se tratava a atividade....vai que...

Para minha surpresa eles estavam me convidando para levar meu filho para um exame de bolsa que, se ele tivesse bom resultado em uma prova, concederia um super desconto na mensalidade da escola.

Pausa para minha cara de "não to acreditando".

Há alguns anos a escola que havia me dito "Vamos fazer uma experiência, mas não precisa matricular e nem comprar uniforme. Vamos ver se ele a escola se adaptam", estava comigo na linha oferecendo uma "ajuda financeira" para que ele (o rejeitado por eles mesmos) estudasse lá.

Respirei e tentei não ser tão rude porque é claro que aquela pessoa do outro lado da linha não sabia que estava falando com uma mãe cujo histórico era esse. Mas, poxa vida, dessa vez eu não podia me calar e ficar paralisada como costuma acontecer comigo quando fazem algo preconceituoso contra o meu filho.

"Olha, há anos atrás eu quis matricular meu filho aí na "EscolaModerninhaMelhorDaRegião" e negaram a vaga ao meu filho que tem uma deficiência leve na perna e na época não andava" e continuei "hoje ele anda e está matriculado em uma outra escola e muito bem". Finalizei "Por esse motivo, eu digo que não! Não quero participar de nenhuma prova de bolsa e gostaria que você reportasse isso ao seu superior para que ele saiba que esse tipo de coisa acontece e que nunca será esquecida."

Alguma ligação posterior ou pedido de desculpa ou seja lá o que for?

Nada. Devem ter excluído meu contato da lista. O que não é de tudo ruim. Já pensou receber esse tipo de ligação novamente?!

Enfim, quis compartilhar com vocês essa situação e também lembrar de sermos firmes quando o assunto é discriminação, preconceito, exclusão! Se a gente se cala, as pessoas e instituições continuam a agir como sempre, com indiferença, com descaso, como se aquela situação não fosse responsabilidade dela. E o respeito a todos e aos diretos é sim responsabilidade de cada um de nós.
 

Mundo Adaptado
Beatriz Yuki
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Jornalista, mãe do Pedro - um menino adorável que nasceu prematuro com 25 semanas de gestação.

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