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Crise Convulsiva Febril - Post 9

Crise Convulsiva Febril - Post 9

PARTE 1:

CRISE CONVULSIVA FEBRIL- INTRODUÇÃO .

Convulsão febril é um dos problemas neurológicos observados com maior frequência na população pediátrica e estima-se que de 2 a 5% das crianças, neurologicamente saudáveis, apresentarão pelo menos um episódio de convulsão febril durante a infância.

Diversas definições foram propostas podendo, atualmente, ser entendida como “um evento clínico restrito à infância, mais frequentemente ocorrendo entre 3 meses e 5 anos, quando na presença de febre, sem evidências de infecção do sistema nervoso central ou doença neurológica aguda, estando excluídas crianças com crises epilépticas afebris anteriores e crises neonatais.

Recentemente, a Liga Internacional Contra Epilepsia (ILAE - International League Against Epilepsy) atualizou a definição de convulsão febril, mantendo os conceitos já citados e acrescentando a idade mínima para primeira crise a partir de 30 dias de vida.

Apesar da definição estabelecer uma faixa etária específica, algumas crianças permanecem com convulsões febris após os 5 anos de idade. As crises geralmente ocorrem em associação com infecções virais das vias aéreas superiores, infecções pulmonares, intestinais e do trato urinário, sendo as crises associadas à febre decorrente de imunizações, também consideradas convulsão febril.

A fisiopatologia desses eventos críticos apoia-se em três pontos fundamentais: faixa etária, presença de febre e predisposição genética.Sabidamente, o cérebro imaturo apresenta especial predisposição para crises epilépticas devido ao desequilíbrio entre mecanismos excitatórios e inibitórios.

Estudos epidemiológicos indicam maior incidência de epilepsia em familiares da criança com convulsão febril, sugerindo que fatores genéticos estejam envolvidos, embora um modelo de herança ainda não tenha sido identificado.

As convulsões febris são classificadas em simples e complicadas, também denominadas complexas.

A primeira (simples) tem apresentação generalizada, duração inferior a 15 minutos e não recorre em menos de 24 horas, enquanto a segunda (complicada ou complexa) tem duração superior a 15 minutos ou apresenta uma ou mais recorrências nas primeiras 24 horas ou tem início focal. Ressaltamos que a presença de somente um destes aspectos é suficiente para alterar a classificação de convulsão febril simples para complexa.

Apesar de discutido há muitos anos, o risco de crianças com convulsão febril evoluírem com epilepsia no futuro permanece controverso. Aparentemente, mesmo as crianças com convulsão febril simples apresentam risco discretamente maior para evoluírem com crises epilépticas afebris recorrentes quando comparadas com a população geral.

Quanto ao risco de recorrência, aproximadamente um terço das crianças que 
apresentam o primeiro episódio de convulsão febril apresentarão um segundo evento. Estima-se que metade das crianças que apresentam um segundo episódio de convulsão febril, terão um terceiro evento, e a partir da terceira crise convulsiva febril o risco de recorrência passa a ser em torno de 70 a 80%.

Primeira convulsão febril abaixo de 18 meses de idade representa o principal fator de risco para recorrência. Se a primeira crise febril ocorre abaixo de 12 meses de vida, o risco de recorrência é em torno de 50 a 60%.

Outros fatores de risco para recorrência da convulsão febril são: (1) parente de primeiro grau com epilepsia idiopática; (2) parente de primeiro grau com histórico de crise convulsiva febril; (3) crise desencadeada por febre baixa e (4) primeira convulsão febril do tipo complexa.

Estudos que avaliam a evolução das crianças com crises convulsivas febris demonstram tratar-se de uma entidade benigna e, mesmo nos casos do chamado estado de mal epiléptico febril (crises convulsivas febris com duração superior a 30 minutos), muito raramente são relatadas sequelas 
neurológicas.

 

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