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Autismo: Por que todos nós precisamos aprender mais e mais sobre ele?

Autismo: Por que todos nós precisamos aprender mais e mais sobre ele?

O blog do Impact Hub Curitiba aborda muito além de temas relacionados ao empreendedorismo e trabalho porque viver é muito mais do que isso. Nós acreditamos que vivendo melhor, podemos produzir e fazer melhores entregas com o nosso ofício. Por isso, realizamos uma temporada de posts chamada “Esperança e Vida” em comemoração ao Dia Mundial para Conscientização do Autismo.

Tive a honra de ser convidada para compartilhar aqui o conteúdo. Afinal, mais que “ouvir falar” precisamos de fato vivenciar esse universo do autismo. Espero que gostem.  :)

Ir ao cinema, passear no parque e sair para comer. Essas são as principais diversões dos irmãos Pâmela e Lincoln. Até aí, tudo “normal” você deve pensar. A informação a mais aqui é que os irmãos convivem com o autismo na rotina deles. E continua tudo “normal” para eles.  O único motivo para colocar esse “normal” entre aspas é exclusivamente para chamar a nossa atenção: porque anormal mesmo é termos poucos  lugares públicos com acessibilidade e a reação das pessoas – a maioria delas, infelizmente – ser negativa diante das características de pessoas com autismo. 

Por outro lado, a solução só depende de uma coisa: mais consciência entre todos nós.

Carol Abreu – Embaixadora da AAMPARA.

Assim como Pamela Cordeiro, influenciadora digital e embaixadora da ONG AAMPARA, Carol Abreu também tem um irmão com autismo e compartilha que também já sofreu com o preconceito das pessoas com relação as reações que o irmão tem. “No começo ele tinha muitas crises, puxava o cabelo, mordia a mão, gritava. Muitas pessoas olhavam com pena ou reprovação, saiam de perto, tiravam os filhos do local, mesmo ele nunca tendo feito mal para ninguém. Os autistas não tem maldade. Mas até hoje, mesmo com as crises controladas, muitas pessoas saem de perto ou não gostam quando levamos ele ao banheiro junto (ele atualmente tem 24 anos, mas precisa de ajuda para ir ao banheiro) ou quando ele grita”,  lembra Carol.

Pamela ressalta que levar o irmão a um lugar público requer sim um cuidado e atenção, mas é algo possível e necessário. Seria mais fácil se os ambientes fossem adaptados e as pessoas conscientes para deixar a atmosfera agradável e acolhedora. Um dos exemplos bacanas desse tipo de "adaptação e acolhimento" é a sessão de cinema inclusiva realizada no Shopping Jardim das Américas (Curitiba/PR). “Meu irmão poder se sentir bem, leve, tranquilo nos lugares que não são apenas do dia a dia, como a escola e a nossa casa, é muito gratificante. Para uma pessoa autista, poder agir livremente e se sentir tranquilo num lugar com muita gente, ou num lugar que não faz parte no seu dia a dia, é um prazer imenso . É uma alegria grande ver que ele está avançando nisso”, destaca Pamela.

Autismo não é doença

“O meu irmão não tem nenhuma doença, o que ele tem é um transtorno de desenvolvimento e ele não faz mal para ninguém”, destaca Pamela.

Atualmente, o correto é dizer que uma pessoa se enquadra no Transtorno do Espectro Autista (TEA). O termo "espectro" foi escolhido por englobar/explicar melhor os diferentes quadros, graus e características das pessoas antes denominadas apenas "autistas". Dentre as características mais comuns estão dificuldade na comunicação e de relacionamento interpessoal e comportamentos repetitivos. Contudo, vale ressaltar, que o autismo se apresenta de formas variadas e individualizadas em cada pessoa e até mesmo conforme a fase em que o autista estiver.

Para Carol Abreu  a  falta de conhecimento sobre o assunto faz muitas pessoas acharem que a pessoa com TEA é mimada e mal-educada.  “Já ouvi relatos de muitas mães que sofrem com isto e já passei por muitas situações constrangedoras também porque aparentemente eles são pessoas ‘comuns’, na aparência não há nada diferente. Mas, eles enxergam o mundo de outra forma e têm comportamentos diferentes dos padronizados pela sociedade. Isso, muitas vezes, causa julgamento errado, desprezo e até humilhações. É muito triste porque faz com que muitas pessoas fiquem constrangidas e deixem de sair de casa. Ou seja, afetam a liberdade de toda a família, inclusive”, explica ela.

É por isso que a conscientização é essencial! Para que haja empatia tanto com a pessoa autista, quanto com seus familiares. Há, de fato, um progresso na divulgação do tema via campanhas, mas tanto Pamela quanto Carol consideram que a caminhada só está começando. Ainda falta muito a ser melhorado. “Vejo algumas campanhas, porém ainda está muito longe do ideal. Seria muito efetivo se a Prefeitura e o Estado, assim como as empresas, investissem em ações reais de inclusão e dessem mais espaço para as pessoas com autismo. Ainda é raro ver grandes empresas contratarem pessoas com TEA. Precisamos olhar isso com mais atenção”, defende Pamela Cordeiro.

Para Carol Abreu, o ponto fundamental é mesmo a conscientização e respeito ao próximo. “As pessoas não precisam ter medo dos autistas, pelo contrário, eles são pessoas puras e extremamente sinceras. Tudo o que vem deles é verdadeiro. As pessoas com TEA também não são padronizadas como nenhum de nós é. Algumas são extremamente inteligentes e desenvolvem aptidões muito acima da média. Já outras, não. Não precisamos rotular, não precisamos padronizar. É só respeitar e quem se permitir conhecê-los verá que são pessoas incríveis”, diz.

Um amor puro, um amor livre

O apresentador e empresário Marcos Mion tem sido um dos símbolos da campanha de conscientização junto com seu filho Romeo. Muito além de buscar aceitação e conscientização, ele e sua família compartilham os aprendizados e alegrias da convivência, em especial, a valorização das coisas simples da vida observadas com afinco por Romeo. Uma das experiências até se tornou o livro  “A escova de dente azul”, com um relato de um presente de Natal pedido por Romeo aos pais.

Em um artigo a Revista Crescer, Mion compartilha a alegria em ter a oportunidade de conviver com Romeo.

“Considero uma chance única que meu filho me deu de me tornar um ser humano melhor ao acompanhá-lo num patamar elevado de valores, sentimentos e entendimento do que são as coisas que valem a pena nesta vida.” – Marcos Mion

“Considero uma chance única que meu filho me deu de me tornar um ser humano melhor ao acompanhá-lo num patamar elevado de valores, sentimentos e entendimento do que são as coisas que valem a pena nesta vida.” – Marcos Mion

 

Veja o artigo completo aqui: https://revistacrescer.globo.com/Colunistas/Marcos-Mion-Pai-Nivel-Hard/noticia/2018/05/autismo-nao-e-o-fim-do-mundo.html.

Se você se interessou por este tema, veja também um artigo da Pamela Cordeiro no qual ela fala do amor pelo irmão e do sonho de que ele se sinta livre onde estiver como é o direito de qualquer pessoa. Confira o artigo completo aqui.

Mas você deve estar de perguntando, e além do afeto e convivência com a família, como é possível inserir essas pessoas no mercado de trabalho? Bem, esse é um assunto que vamos tratar em um outro artigo totalmente exclusivo pra a inclusão no meio profissional. 

O Impact Hub Curitiba apoia essa causa e está aberto para projetos que possam impactar positivamente. Convidamos você também para se abrir e entrar nesse mundo. Nos mande um email (curitiba@impacthub.net) e juntos podemos ir mais além!

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