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Atenções Sociais Alteradas no Autismo, Fatores relacionados a idade também afetam esse aspecto.

Atenções Sociais Alteradas no Autismo, Fatores relacionados a idade também afetam esse aspecto.

Quando autistas olham para essa imagem retratada na capa eles automaticamente tendem a olhar para as outras partes sem centralizar a visão no centro, em uma imagem que representaria de forma abstrata para testes neuropsicológicos a visão de rostos e corpos, já no meio típico o oposto ocorre onde as pessoas olham primeiramente no centro da imagem 1.

Esse estudo mais recente mostra que autistas tendem a gastar mais tempo olhando para outras partes do corpo ao invés de focar apenas no rosto, características que buscam uma possível interação com outros estímulos sociais justificam que autistas não apresentam uma inabilidade mas sim uma seletividade no método de observar as pessoas e objetos ao seu redor.

Dentro do mesmo estudo também foi descoberto que a variação de visão no meio autístico poderá ocorrer entre vários níveis, mesmo o autista olhando para um rosto essa ligação não corresponde a fatores que lhe auxiliem em uma memória de longo prazo para identificação individual das pessoas ou objetos.

Estudos anteriores examinaram como certos fatores, como a capacidade de uma pessoa de aprender ou processar diferentes estímulos, afetam a atenção social no autismo, mas poucos avaliaram como os 'padrões de aparência' mudam ao longo de um experimento ou com a idade.

“Este estudo é um grande passo para que possamos ter uma visão desse processo”, diz Rebecca Stef , professora associada de pediatria do Hospital Infantil de Cincinnati em Ohio, que não esteve envolvida no estudo.

Com base em seus movimentos oculares, as pessoas neurotípicas parecem ficar mais interessadas em rostos à medida que envelhecem, mas os autistas não, descobriram os pesquisadores. 

Já os autistas com base nos estudos mais recentes tendem a escolher outras características como cheiro, cores, acessórios, deixando cada vez mais de lado a percepção do rosto e sua representatividade dentro do espectro. E poucas palavras com passar dos anos autistas tendem a esquecer fatores fisiológicos ligados a aparência, porém  não param de se orientar com o complemento de outros gatilhos para identificar familiares e pessoas do seu meio conforme informado anteriormente.

Os resultados mostram que “há informações a serem obtidas” analisando os dados de rastreamento ocular dessa forma, diz a investigadora principal Emily Jones, professora de neurodesenvolvimento translacional na Birkbeck, Universidade de Londres, no Reino Unido.

Cenas sociais:

Jones e seus colegas coletaram dados de rastreamento ocular de 650 pessoas autistas e não autistas com idades entre 6 e 30 anos que participaram do Longitudinal European Autism Project (LEAP), um esforço de vários países para identificar biomarcadores para o autismo.

Pessoas autistas de todas as idades são tão propensas quanto seus pares não autistas a olhar para rostos no início de cada teste, os pesquisadores descobriram, confirmando descobertas anteriores de que o autismo não afeta a capacidade de alguém de detectar e orientar os rostos 2.

Mas, com o passar do tempo, os grupos diferiram quanto a onde olhavam: depois de escanear outros elementos de uma cena, os adultos neurotípicos acabaram voltando sua atenção para os rostos, já os adultos autistas não mais olhavam nos rostos se aproveitando de outros fatores ambientais ou de estímulos. O estudo foi publicado na revista Biological Psychiatry: Cognitive Neuroscience and Neuroimaging em setembro.

Os resultados sugerem que dois mecanismos diferentes conduzem os padrões de aparência inicial e tardia, e o autismo afeta apenas em uma fase de idade tardia, diz Jones.

Ao observar as diferenças individuais, Jones e seus colegas descobriram que as pessoas autistas com os padrões de aparência mais atípicos tinham as piores habilidades de comunicação adaptativa e socialização, conforme avaliado por um teste chamado Vineland Adaptive Behavior Scales.

Embora preliminar, essa descoberta sugere que autistas com melhor compreensão verbal  são mais propensos a se tornar "especialistas" em rostos ao longo do tempo e, portanto, são mais propensos a dedicar atenção a rostos à medida que envelhecem, diferente de autistas que não trabalham questões de habilidade social ou não tenham potencialidades ligadas a fatores de comunicação. diz a investigadora do estudo Teresa Del Bianco, pesquisadora de pós-doutorado em Birkbeck, Universidade de Londres.

A ideia de que as habilidades de comunicação podem alterar os padrões de atenção social em autistas está de acordo com outro estudo de 2020, que descobriu que, assim que as crianças começam a aprender a falar, elas mudam em quais partes do rosto se concentram.

De olho no futuro:

“A pergunta de um milhão de dólares em nosso campo é: por quê? Por que a atenção seletiva, ou atenção de cima para baixo, no autismo é tão fraca quando se trata de estímulos sociais, como rostos? ” diz Katarzyna, professora de psiquiatria infantil da Universidade de Yale, que não esteve envolvida no trabalho.

Embora os pesquisadores mostrem algumas respostas, o estudo foi limitado pelo fato de ser apenas observacional, diz ela. Não foi projetado para testar hipóteses que possam explicar os mecanismos em jogo.

Seguindo em frente, Jones e Del Bianco planejam estudar se existem diferenças de sexo nos padrões de atenção social para pessoas com e sem autismo. sendo assim poderemos aprimorar também o diagnostico no sexo feminino que vem sendo cada vez mais cobrado para um enquadramento diferenciado em comparação ao sexo masculino, diz Del Bianco.

Autista Savant Jacson Marçal @jacsonfier no Instagram.

 

REFERÊNCIAS:
  1. Del Bianco T. et al. Biol. Psychiatry Cogn . Neurosci. Neuroimag ing Epub ahead of print (2020) 

  2. Guillon Q. et al. Neurosci . Biobehav . Rev. 42 , 279-297 (2014) pubMedHabayeb S. et al. J. Autism Dev. Desordem . Epub ahead of print (2020)

Mundo Adaptado ®
Jacson Marçal
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Autista - Savant., Ativista e Voluntário. Humanas, Neurociência Médica  pela University de Duke 2020, Especialização em Certificado Internacionalmente em Neurofeedback & Biofeedback pela Conselho Nacional de Neurociência 2019, Especialista em ABA

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