Aprendendo com as crianças
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Aprendendo com as crianças

Eu sou muito feliz sendo mãe. O tempo todo? Não. A maternidade tem um lado B bem grande e tenho a impressão de que no caso de mães de crianças com deficiência é ainda mais complicado por várias questões. Mas, eu sou muito feliz por ter o Pedro como filho, por aprender tanto, por receber tanto amor dele e poder me doar. É sempre uma troca mútua e intensa a nossa relação de mãe e filho!

Penso muito sobre como ensinar, educar e, ao mesmo tempo, manter a espontaneidade do Pedro impondo limites. Sem dúvida é desafio para a vida toda. Acho que é uma eterna tentativa de acerto e erro. Vamos testando. Se dá certo ótimo! Se sai errado lá vamos nós queimar tutano para buscar uma nova forma.

Mas, o dia a dia tem me mostrado que os filhos ensinam muito aos pais. Talvez até mais. Quando temos filhos temos a chance de aprender tudo de novo, sabe? De ver a vida com outros olhos. De repensar se aquilo que temos como verdade absoluta é de fato nosso ou nos foi ensinado durante os anos.

Nesses quase cinco anos de vida o Pedro me ensinou demais sobre paciência, resiliência, fé, amor, maternidade, responsabilidade, empoderamento, autoconfiança, humildade…tanta coisa. Mas, tanta. E outro dia ele me ensinou mais com uma atitude bem simples.

Enquanto me afastava do portão da casa da minha sogra consegui ver o Pedro no colo do meu sogro. Acenei, mandei beijo, abanei as mãos fazendo tchau. De repente vi o rosto do Pedro se iluminar de alegria. Uma alegria esfuziante, uma animação expressada por sorrisos e bater de palmas. Foi então que percebi que ele olhava para o final da rua onde o caminhão de gás entrava tocando aquela musiquinha clássica conhecida por quem morou em bairros de periferia ou cidades pequenas.

Achei engraçada a cena. Dei risada do Pedro porque nunca vi alguém tão feliz com o caminhão do gás! Nem dona de casa com o almoço pela metade vendo o caminhão de gás chegar!

Fui trabalhar com a lembrança dele sorrindo e batendo palminhas (um ganho festejado por todos). Por fim, aprendi mais uma: a vida é muito mais leve quando damos valor as pequeníssimas coisas do cotidiano. Se você aprende a ser feliz nas situações simples, não precisa de um grande acontecimento para se sentir animado.

Mundo Adaptado
Beatriz G. Yuki
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Jornalista - Particular

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