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A escola certa é a escola que acolhe seu filho

A escola certa é a escola que acolhe seu filho

Quando chegou a época de colocar o Pedro na escola eu vivi uma angústia. Queria a melhor. Queria a mais moderna. Queria a escola dos sonhos e acho que esse foi meu erro. Eu demorei a entender que a melhor escola era a que o acolhesse, a que tivesse vontade de fazer dar certo e vivesse a inclusão ao invés de dizer que a vivia quando na prática estavam há anos luz desse propósito.

Engraçado como todas as escolas que eu visitei diziam "respeitamos a individualidade". "Entendemos que cada aluno tem seu tempo". Todos esses lindos discursos caíam por terra quando eu dizia "meu filho tem deficiência e mobilidade reduzida". As expressões nos rostos e os tons de voz mudavam. Do sorriso simpático ou amarelo e sem graça.

Não, as escolas não respeitam a lei de que nenhuma matrícula pode ser negada para crianças e jovens com deficiência. Elas negam veladamente e continuam deixando milhares de crianças no Brasil sem acesso a um direito universal e tão importante para o desenvolvimento de qualquer ser humano: a educação.

Desculpas e frases que ouvi:

- Será que aqui é o melhor lugar para ele?

- Será que temos como ajudar como ele precisa?

- E se fizermos um teste para ver como ele se sai? Não precisa matricular ou comprar material por enquanto.

- Preciso checar se temos como atender porque nossas turmas já estão bem cheias. 

Essa última foi a pior de todas porque a postura da escola mudou totalmente quando contei que meu filho tinha deficiência. Até me pediram para levar ele na escola, acho que para ver o grau da deficiência, e no fim me disseram para aguardar contato porque achavam que as turmas já estavam cheias. A escola não só NUNCA  me retornou, mesmo após insistir por telefone, como também me mandou (por meio de um sistema automático) um SMS uma semana depois dizendo que as matrículas para o ano letivo estavam abertas.

Eu fiquei mal. Eu chorei. Eu fiquei angustiada pensando em todas as opções viáveis e possíveis de escola. Acompanhando minha saga e tristeza, meu pai um dia me perguntou onde as crianças com deficiência estudavam. E eu friamente respondi: - Elas não estudam. Durante todo o tempo em que eu e minha irmã estudamos você se lembra de alguma criança com deficiência? 

Ele calou. Porém, a pergunta dele me deu a ideia de compartilhar o problema com amigos e uma delas me indicou uma escola. Fui com poucas esperanças e já mais calejada. 

Para minha surpresa tive uma boa surpresa! rs A escola não só estava aberta ao meu filho como tem alunos com diversas deficiências! Ele é respeitado, é incentivado e faz parte de uma escola onde todos participam.

A festa junina foi um dos momentos mais emocionantes da nossa jornada quando ele e todos os seus amigos, com e se deficiência, dançaram na quadra da escola a música "Asa Branca".

Com toda a sensibilidade e preparo, os professores elaboraram uma dança para que TODOS pudessem participar. Mais lenta. Mais simples. Em grupo.

Então, se você está nessa busca, lembre-se: tente achar uma escola que esteja disposta. Que acolha. A busca não é fácil. Mas, existem instituições para o seu filho. Não desista!

 

Mundo Adaptado
Beatriz Yuki
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Jornalista, mãe do Pedro - um menino adorável que nasceu prematuro com 25 semanas de gestação.

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