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O que você precisa saber sobre Bebês Prematuros

O que você precisa saber sobre Bebês Prematuros

Olá a todos que me acompanham nesse espaço tão estimado. Espero que estejam com muita esperança e fé no ano que se inicia.

Para iniciarmos o ano de 2019, resolvi rever um post bem visualizado aqui no blog sobre a idade corrigida dos prematuros, acrescentando informações importantes para a prematuridade e/ ou outras situações de risco. 

Espero que gostem! 

Quem de nós, pais de prematuros, bebês cardiopatas,  ou de risco ( crianças que apresentam maior vulnerabilidade em expressar alguma intercorrência ao longo da trajetória do desenvolvimento), que nunca escutaram frases comparativas ou até mesmo com um tom de estranhamento, vindas de familiares, amigos ou pessoas desconhecidas quando percebem diferenças nítidas entre o tamanho, o peso e/ou a qualidade do desenvolvimento infantil de crianças nascidas a termo e os nossos filhos? 

Frases como: “nossa, como seu bebê é pequeno para a idade dele!¨;  ¨meu filho, com essa idade já sentava sozinho ¨; ¨meu Deus, será que o seu filho não precisa tomar alguma vitamina para crescer?¨;  ¨será que o seu filho não tem algum atraso significativo no desenvolvimento?¨, entre outras…

Creio que todos nós já escutamos algumas dessas comparações e nos sentimos tristes, ou até mesmo, ansiosos em explicar o motivo dessas diferenças, que são mais notáveis no primeiro ano de vida em bebês prematuros extremos e nos que necessitaram ficar internados por um período de longa permanência em uma UTI Neonatal e ou Pediátrica.  

Quando a minha filha, nascida de 23 semanas e 1 dia, foi liberada para dar alguns passeios em ambientes externos, optei somente em falar a sua idade corrigida diante de perguntas sobre essa temática. Ao ouvirem a sua idade cronológica,  o estranhamento das pessoas frente ao seu tamanho e condição era tão acentuado, que para amenizar o meu desconforto emocional, somente dizia a idade corrigida. 

Pois é! Bebês prematuros são tão especiais e particulares que possuem 2 idades: a cronológica e a corrigida, como citadas acima. Antes de explicá-las, gostaria de retomar o conceito de prematuridade, até para nós pais compreendermos que quanto mais prematuro for o nosso filho, maior será a necessidade de realmente corrigirmos a sua idade cronológica.  

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS):

Prematuridade significa o nascimento antes das 37 semanas completas de gestação ou menos de 259 dias desde o início da última menstruação.

Ou seja, prematuridade é uma condição relacionada às semanas gestacionais e não ao peso ao nascimento.  É importante sabermos essa diferença entre idade gestacional e peso ao nascimento para não confundirmos os diversos fatores de risco que podem acometer um bebê. 

Um bebê nascido de 37 semanas e 1 dia, com peso menor do que 2 quilos não é considerado prematuro, apesar de ser um bebê de risco e necessitar de um período de permanência em uma UTI Neonatal para completar o peso desejado para a alta. Isso quer dizer, que não nascer com o peso adequado para a idade gestacional apresentada é sim um fator de risco preocupante e que requer todo acompanhamento neonatal, mas não se enquadra na prematuridade. 

Frequentemente, esses bebês que nascem a termo, com baixo peso ao nascer, com um perímetro cefálico e tamanho (comprimento) inferior à média esperada, recebem o diagnóstico de Retardo do Crescimento Intrauterino (RCIU) e como pontuado acima, é um bebê considerado de risco e que deve ser acompanhado com atenção, especialmente durante os seus primeiros dois anos de vida.

Elegi explicar essa diferença, porque antigamente até mesmo a medicina enquadrava os bebês com baixo peso ao nascimento como sendo prematuros, não vinculando, necessariamente,  a prematuridade à idade gestacional. 

Por outro lado, sabe-se que o bebê prematuro extremo nascerá com um peso extremamente baixo ao nascer, ou seja, menos do que 1000 kg. Isso quer dizer que esse bebê já inicia sua vida extra uterina com 2 fatores de risco biológicos que requerem muita atenção neonatal para aumentar as chances de sobrevivência desse bebê: a prematuridade e o peso extremamente baixo ao nascer.  

Para nós pais,  de prematuros ou não, sabermos que o baixo peso ao nascimento é, sim, um fator de risco nos coloca em uma posição de alerta para acompanharmos o desenvolvimento de nossos filhos, com a clareza de que qualquer fator de risco pode causar algumas diferenças quando comparamos, especialmente, os primeiros anos de vida de crianças que nasceram sem nenhum fator de risco, com as que nasceram com algum. 

Sabe-se que quanto mais longe das 37 semanas gestacionais acontecer o nascimento, mais prematuro o bebê será, podendo ser enquadrado nas diferentes subdivisões: prematuro extremo (abaixo de 28 semanas); prematuro grave (entre 28 e abaixo de 32 semanas);  prematuro moderado (entre 32 semanas e abaixo de 34) e prematuro quase termo ( entre  34 semanas e abaixo de 37).  

Decidi expor essas subdivisões, pois apesar de todos esses bebês serem classificados como prematuros, eles carregam/apresentam muitas necessidades e diferenças entre si, especialmente, no que diz respeito à maturidade neurológica,  fisiológica, enfocando a pulmonar, cardíaca, renal e intestinal.

Exatamente diante do quadro de maturidade que o bebê apresenta é que são determinados o tempo de internação em um ambiente de UTI Neonatal e/ou Pediátrica, todas as necessidades médicas,  cirúrgicas, terapêuticas e o prognóstico quanto à possíveis dificuldades/sequelas ao longo do desenvolvimento infantil. As hemorragias intraventriculares, periventriculares, por exemplo, são eventos muito frequentes nos prematuros, diante da imaturidade das estruturas cerebrais e que ocasionam diferentes prognósticos para cada criança.   

Porém, mesmo que os bebês possam apresentar muitas diferenças entre si, todo prematuro (desde o mais extremo ao mais tardio) terá a sua idade cronológica e a corrigida, pelo menos durante o primeiro ano de vida.  

Ainda não há um consenso entre os pediatras sobre a correção da idade, mas segundo a Associação Brasileira de Pediatria,  os prematuros extremos deveriam ter a correção até os 2 anos de idade e para alguns casos (com longa permanência em UTI e nascidos com uma extrema imaturidade neurológica e fisiológica), como o da minha filha, até os 3 anos de vida. 

A idade cronológica é contada a partir do dia do nascimento e a corrigida nada mais é que um desconto que realizamos na idade cronológica.  

Se a criança nasceu, por exemplo, 2 meses antes da data prevista, ela terá este mesmo desconto na sua idade cronológica durante o primeiro ano de vida, de forma obrigatória,  para toda e qualquer marco do desenvolvimento, incluindo também o peso, a estatura e o perímetro  cefálico. O desconto sempre terá como referência uma gestação de 40 semanas completas de gestação.

Para exemplificar o cálculo, vamos pensar no nascimento de um prematuro extremo com 23 semanas gestacionais e, que, atualmente já esteja com 6 meses de idade cronológica.

A conta para saber o desconto realizado na idade cronológica será:  o número 40/ média de uma gestação sem intercorrências –  23/ idade gestacional em que o bebê nasceu =  17/ resultado final. O número 17 significa a quantidade de semanas que deve ser descontada da idade cronológica atual que o prematuro apresenta. Para transformamos  os meses em semanas, a literatura indica que usemos 4.5 semanas para cada mês.  Então, para o exemplo abordado, 6 meses seriam 27 semanas (6 x 4.5). Das 27 semanas, precisamos descontar  17 ( resultado final da primeira conta), obtendo 10 semanas:  27-17= 10. 

Isso quer dizer que o prematuro extremo com 6 meses de idade cronológica precisa ter a avaliação do seu desenvolvimento/marcos infantis referente à 10 semanas de vida e não à 6 meses de idade. Todo esse rigor na correção da idade precisa acontecer, pois é uma forma nobre de respeitar um bebê que nasceu sem estar completamente desenvolvido para a vida extra-uterina e de minimizar as consequências de ter completado o seu desenvolvimento em um ambiente hospitalar, sofrendo várias complicações que ameaçaram a sua vida.  

Atualmente, a neonatologia já sabe que cada dia a menos no útero materno pode significar a necessidade de vários procedimentos invasivos e cirúrgicos para travar a luta pela sobrevivência. O risco para possíveis complicações é especialmente maior para bebês que nascem antes das 34 semanas gestacionais.   

Portanto, antes de nos angustiarmos frente a qualquer comentário ‘absurdo’ que nós,  pais de prematuros e/ ou com outros fatores de risco,  ouvimos temos que ter sempre em mente que precisamos corrigir a idade de nossos filhos.

É a idade corrigida que deve prevalecer no que se diz respeito a todo o desenvolvimento e crescimento infantil nos primeiros anos de vida, especialmente para o prematuro extremo. Enfocamos a prematuridade extrema, porque a necessidade de maior tempo de correção na idade acontece para os que nascem antes de 28 semanas. Meu segundo filho, nascido com 32 semanas gestacionais, por exemplo, necessitou ter a correção até o 8º mês cronológico. Após esse período equiparou-se com o desenvolvimento de crianças a termo. 

Assim, olharmos os nossos filhos diante da correção da idade não significa nenhuma mentira, vergonha e/ou tristeza por parte de nós que somos pais. Significa antes de tudo um respeito ao tempo no qual os nossos filhos não ficaram em nossos ventres, uma gratidão frente a toda luta travada em prol da sobrevivência e sabedoria da ciência ao afirmar sobre a necessidade dessa correção, especialmente diante de um ritmo diferenciado dos prematuros em adquirirem os marcos infantis, quando comparados com crianças a termo. 

O desconto na idade cronológica não significa, em nenhum momento, falta de preocupação e/ou atenção pediátrica/ terapêutica com os marcos típicos do desenvolvimento infantil.

Sorrir socialmente, fazer contato de olho, explorar visualmente as mãos, firmar a cabeça, pegar um brinquedo com as mãos, passar um brinquedo de uma mão para outra, explorar visualmente o ambiente/as pessoas/os brinquedos/ objetos ao redor, rolar, sentar, engatinhar, andar, falar, entre outros. Muito pelo contrário! Significa atenção e respeito ao desenvolvimento infantil, até para adquirirmos mais conhecimentos e informações sobre a necessidade real de um acompanhamento terapêutico com os diversos especialistas- terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo, nutricionista- para estimular o desenvolvimento e suas importantes etapas e aquisições motoras, sensoriais, cognitivas, afetivas e sociais.

Além disso, quando os pediatras e terapeutas afirmam sobre a importância dos marcos do desenvolvimento infantil e o seu acompanhamento em crianças de risco não estamos sendo contra ao respeito ao ritmo, tempo, especificidades, necessidades e contexto de cada criança. Respeitar o ritmo e contextualizar cada característica apresentada é importantíssimo, mas isso não pode e não deve encobrir o que já conhecemos sobre as etapas do desenvolvimento infantil. O que nós profissionais e pais devemos ter em mente é a importância da complementaridade do ritmo/tempo/ características apresentadas aos marcos típicos do desenvolvimento e, tudo isso, contextualizados ao ambiente no qual a criança vive.

Isso quer dizer que criança de risco deve ser acompanhada de perto pelos pais e especialistas. Mesmo que a criança esteja bem, os marcos do desenvolvimento infantil precisam ser acompanhados, não como uma forma de não respeitarmos o ritmo de cada criança, ou de patologizá-la, mas como uma forma eficaz de prevenirmos possíveis dificuldades e/ou transtornos ao longo  da trajetória do desenvolvimento.  

Felizmente, existem muitos prematuros e crianças de risco que não apresentam nenhum problema e/ou atraso em seu desenvolvimento. Rapidamente igualam-se ao desenvolvimento de crianças nascidas a termo e/ou sem complicações. Porém, existem outros que apresentam dificuldades específicas ao longo do desenvolvimento.  Por isso é de extrema valia que os pais e profissionais entendam a relevância  da idade corrigida, as especificidades da prematuridade/ de outros fatores de risco e a importância dos marcos infantis para que não ocorram diagnósticos errados- desde os muito precoces até os muito tardios- em nossas crianças, especialmente, nos primeiros anos de vida. 

Um grande abraço,  Maitê Maria, Lucca e Teresa Ruas. 

 

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