Toda mãe precisa de apoio
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Toda mãe precisa de apoio

A maioria das coisas que planejei para a chagada do meu filho não deu certo: chá de bebê, parto, quartinho, book de gestante... Ainda é um pouco dolorido administrar tudo isso porque como mães temos a mania de criar expectativas, idealizar um filho(a), imaginar que isso ou aquilo é mais importante. Eu ainda preciso me conscientizar que realidade não é novela. Mas, teimo em viver de forma a criar momentos especiais porque a vida por si não é leve.

Foi tudo muito rápido entre o dia em que passei mal, me internei e meu filho nasceu prematuramente com 25 semanas de gestação (6 meses). De um dia para o outro mais precisamente. Dor fortíssima do lado direito da barriga. Calafrios que me faziam tremer inteira. Consulta com a obstetra. Ida para o hospital. Internação. Soro com remédio para inibir as contrações. Vários exames de imagem. Poucas horas depois me levanto para fazer xixi e a bolsa estoura. Passam-se cinco horas. Centro cirúrgico. Ele nasce!

Foram 90 e poucos dias de internação e não houve um só dia em que não estive ao lado dele. Eram jornadas de 12 horas normalmente, tirava leite a cada 3 horas, esperava para fazer o Método Canguru, conversava com os médicos, olhava prontuário, acompanhava cada passagem plantão, fazia carinho, esperava por boas notícias. Tive muito medo das intercorrências. Chorei de cansaço e de saudade.

Mas, não tiveram só coisas ruins nesse tempo. Conheci pessoas muito legais e casos emocionantes de luta e superação. Com humor (sim, ainda sobrou espaço para ele) criamos uma relação interessante entre mães e a apelidamos de “Rádio Leite”. Os encontros rápidos na sala de ordenha eram aproveitados para desabafar, para trocar informações, para vibrar com as conquistas dos bebês.

Incrível como nessa relação não havia julgamentos. Acho que foi a única vez na vida que presenciei o altruísmo. Uma amparava a outra, confortava, dava dicas, transmitia força e não questionava a fragilidade. Porque lá entendia-se que há dias bons e dias ruins. ESTÁVAMOS frágeis, não SOMOS fracas.

A elas minha eterna gratidão. Muitas são minhas amigas até hoje e o convívio com elas me fez entender como é importante que todas as mães de prematuros e de crianças com necessidades especiais precisam de uma rede apoio: pessoas que elas possam contar em um imprevisto, num dia mais sensível em que as palavras servem de remédio, uma loucinha lavada na pia, uma passada no mercado para ajudar uma mãe que não conseguiu sair de casa porque a criança teve cólica/gripe/apnéia.

Existe um ditado africano que diz: "Para se educar uma criança é preciso uma aldeia toda". E eu acredito muito nisso. Somos fortes, mas não somos super heroínas. Todas nós precismos de apoio e acolhimento. Mães saudáveis e felizes criam filhos igualmente felizes e saudáveis.

Apoie sempre que puder. Pergunte para a mãe que você conhece se ela precisa de ajuda. Tenho certeza: sua pergunta fará diferença no dia dela mesmo que ela não esteja precisando de nada. O amor é demonstrado de diversas formas.

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Mundo Adaptado
Beatriz G. Yuki
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Jornalista - Particular

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