[ editar artigo]

Olham tanto para o meu filho na cadeira de rodas, que parece que somos estrelas de Hollywood

Olham tanto para o meu filho na cadeira de rodas, que parece que somos estrelas de Hollywood

Participando de uma live esta semana, tive a oportunidade de fazer uma reflexão pessoal. Quando penso em inclusão, logo imagino meu filho em todos os lugares possíveis, tendo uma vida comum como qualquer criança, dentro das limitações dele é claro. Muitas vezes quando falamos em inclusão, pensamos nas pessoas consideradas atípicas, que fogem de um padrão de normalidade imposta por uma sociedade. E nós pais precisamos aprender a enfrentar essa realidade de frente.

Comentei na live, que quando eu saio com o Leo, eu me sinto como uma estrela de Hollywood, mas preciso explicar um pouco melhor sobre isso. É comum crianças e adultos olharem para gente de forma diferente, algumas vezes até nos apontando. Não é simplesmente um olhar passageiro, é um olhar que analisa, busca explicações, um olhar de curiosidade,  reflexão, às vezes com julgamento, às vezes com compaixão, outras com repúdio. Esses olhares diversos me machucavam no início, pois além de tudo, por inúmeras vezes eu sentia o afastamento das pessoas, como se eu fosse um ser de outro planeta, alguém como uma estrela de Hollywood, que sofre julgamentos todos os dias de sua vida.

Eu procurava entender os reais motivos pelo qual isso acontecia, até o momento que senti precisar tomar uma atitude. O mais incrível é que esta atitude só poderia vir de mim pois era eu que estava sentindo os diversos olhares, meu filho estava bem, tranquilo com o amor que oferecíamos a ele e protegido por nós de todas as formas.  O problema estava comigo, eu estava sentindo a dor da exclusão.

Compreendi que eu não precisava sentir aquilo tudo, eu não estava dentro da mente das pessoas para saber o que realmente elas estavam pensando ao ver me filho tão pequeno em uma cadeira de rodas, talvez sair de casa com ele pudesse ser algo muito diferente para elas, a ponto de causar curiosidade, afinal, por muitos anos vimos pessoas com deficiência "confinadas" em casa por não terem a opção e a facilidade de sair ou até mesmo porque a sociedade as enxergava como um castigo para a família que a concebeu. E olhando para tudo isso eu resolvi encarar de frente o orgulho que tenho do meu filho e de tudo que ele atravessou em sua vida para nos dar a oportunidade de desfrutar do seu amor. O Leo é puro amor, pura sabedoria e por mais que ele não verbalize e apenas vocalize alguns poucos sons, eu entendo quase tudo que ele expressa. Ele me ensina que a alegria está nas coisas simples, que não podemos perder tempo com pecuinhas e que devemos respeitar o próximo acima de tudo.

 

Portanto, quando eu estou na rua com meu filho, eu não me preocupo mais com os olhares. E sabem por quê?

Porque eu me sinto privilegiada em ser mãe do Léo e ter sido escolhida por ele seja para o que for, para o processo de evolução dele, para o meu processo de evolução, para o que as pessoas precisarem achar que seja. Eu não me importo com isso, eu me importo com ele, com a felicidade dele e vou fazer o impossível para que ele alcance o seu melhor possível enquanto estivermos juntos.

O amor rege nele e em torno dele, eu sabia que não seria fácil, mas escolhi enfrentar.  E por isso, quando estou na rua recebendo olhares diversos e sem entender o que as pessoas estão pensando, recebendo olhares como seu eu fosse uma estrela de Hollywood, eu ativo ainda mais o orgulho que tenho por ele e do que alcançou em sua vida até agora, mas principalmente, recebo os olhares com tranquilidade pois sei que uma das minhas missões é ensinar às pessoas, é contar a elas o porque tenho felicidade ao lado dessa criança que amo tanto.

E sigo em frente lutando por um mundo mais inclusivo aonde o normal possa ser o que é diferente na visão da sociedade, pois eu só conheço um normal, ter um lindo menino chamado Leonardo, que tem uma deficiência severa mas que ensina todos os dias sobre o amor.

Mundo Adaptado®
Carla Delponte
Carla Delponte Seguir

Founder & CEO na Mundo Adaptado, Ativista da Inclusão da Pessoa com Deficiência, Atriz e Mãe do Léo, meu Leãozinho Guerreiro!

Ler conteúdo completo
Indicados para você