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Quando o tratamento de pé torto congênito (PTC) precisa ser reiniciado do zero

Quando o tratamento de pé torto congênito (PTC) precisa ser reiniciado do zero

Como contei no meu último post, meu filho iniciou o tratamento do Pé Torto Congênito (PTC) pelo Método de Ponseti com 10 dias de vida. Depois do grande choque de realidade da primeira consulta, fomos tentando aceitar e entender toda a situação. 

Confesso que não foi fácil. Ainda não sabíamos direito como seria o tratamento, mas Deus nos deu forças pra prosseguir. Eu dizia para mim mesma:  "Aconteça o que acontecer, meu filho vai precisar de mim".

Eu tinha que ser forte e havia motivos para ser grata por ter meu filho aqui comigo,  tão esperto, saudável e também por existir tratamento. 

Eu e o Gabriel ficamos os primeiros dias de vida dele com a minha mãe, que foi e ainda continua sendo uma base pra gente. Depois desses dias na casa dela,  de volta em casa e agora totalmente diferente para mim e para meu marido, tínhamos um "serzinho" que precisava de nós pra tudo, ainda mais em tratamento. Nós o amávamos mais que tudo e por essa razão seguimos com o tratamento. 

Nas primeiras consultas a  minha mãe nos acompanhou e, a partir dessa volta para a nossa casa, meu marido ia junto comigo e com o Gabriel. 

Foram feitas oito gessos com trocas semanais. Depois realizado um procedimento no tendão de aquiles, em que ele permaneceu com mais um gesso, dessa vez,  por três semanas. 

O médico nos avisou que retirando esse último gesso teria de usar adequadamente a órtese, conhecida como Dennis Brown. Ele sabia que em nossa região não seria possível comprar a órtese, então ele mesmo se ofereceu a encomendar pela internet pra gente. Aceitamos, afinal não fazíamos ideia de como era essa órtese. 

A órtese não chegou no tempo que precisávamos, até a retirada do último gesso e a colocação do dispositivo. Tivemos de retirar o gesso e o médico verificou se estava tudo certo, então um novo gessinho foi confeccionado. Depois de mais uma ou duas semanas a órtese chegou, o gesso foi retirado e a órtese colocada para uso de 23 horas por dia, retirando apenas para o banho, por três meses. A partir dali,  o acompanhamento médico seria mensal. 

Voltamos pra casa e o Gabriel ficou muito incomodado com a órtese. Mesmo ele estando com apenas quatro meses, quem disse que ele aceitava a órtese? Nós também não estávamos aceitando, nunca tínhamos visto algo semelhante. 

Para mim aquela órtese era horrível e eu pensava:  "Não tem como uma criança usar uma coisa que prende seus  pezinhos". Por muitas vezes eu queria estar no lugar do meu filho. 

Como sofri neste processo de adaptação., chorei. Não tenho nem palavras para expressar todos os sentimentos que vivi naquele momento. Sei que não deve ter sido fácil para o meu marido também e tampouco para o Gabriel, que ainda tão novinho, não entendia o que estava acontecendo.

Por causa de todo esse sofrimento e com o Gabriel chorando, nós retirávamos a barra de ferro que fixa um pé ao outro na órtese. Deixávamos ele só com as botinhas, isso não ajudava em nada no tratamento pelo contrário, o prejudicava, porque não estava sendo feito corretamente. 

Logo que o Gabriel começou a usar a órtese, ficamos sabendo que o médico dele estava com câncer e havia sido internado. Ele foi um médico muito cuidadoso com o nosso filho. Mesmo internado chegamos a nos falar por telefone para informá-lo sobre o uso da órtese e como estava indo o tratamento. 

Depois de algum tempo, a temida notícia chegou: o médico que cuidava do meu filho tinha falecido. 

O doutor Itamy e sua esposa jamais sairão da nossa memória, por tudo que fizeram por nós. Só que nesses três meses de internação dele, o Gabriel ficou sem nenhum acompanhamento e pior ainda, usando de forma incorreta a órtese. 

Nesse tempo não tínhamos conhecimento do tratamento e tínhamos esperança de que o médico voltaria a acompanhar o Gabriel. Nem imaginávamos que perderíamos o profissional e tudo que fizemos até então no tratamento, voltando do zero. 

 Acompanhem meu próximo post, contarei sobre a busca de um novo médico ortopedista em minha região (Itamonte Mg), onde nem imaginávamos que estaríamos começando mais uma luta: o de encontrar um profissional sério e que nos ajudasse a compreender o tratamento e importância do uso correto da órtese.

Até breve!

Mundo Adaptado
Joselene Andrade
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Sou casada e mãe do Gabriel- que nasceu com o pé torto congênito (ptc), "meu pezinho de ouro". Maternidade atípica. Costumo dizer que ele é o presente mais lindo que Deus me deu.

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