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Necessidades especiais durante a adaptação escolar

Necessidades especiais durante a adaptação escolar

O retorno às aulas é sempre um momento desafiador para nós, pais ou cuidadores e também para os pequenos. Alguns estão pisando pela primeira vez numa unidade de ensino, outros mudaram de sala, de professores ou de escola. No caso do Martim, meu filho, ele manteve uma das professoras e está conhecendo uma nova. Em todos esses cenários as crianças sofrem um pouquinho quando enfrentam novidades que precisam de adaptações.

O Martim começou a ir para a escola aos cinco meses, quando voltei a trabalhar após a licença-maternidade. Foi uma decisão difícil para nós, afinal ele ainda usava a órtese Denis Brown durante 23 horas, retirando apenas para o banho. Estávamos na reta final dessa etapa do tratamento quando fizemos a primeira adaptação dele na escola.

A escola era excelente, contratamos um serviço de transporte escolar e enfrentamos o tão temido período de adaptação. Como foi difícil...mesmo confiando nos profissionais que cuidariam dele, achei que fosse morrer de tanta preocupação, medo de algo ruim acontecer ou de não saberem lidar com uma criança com deficiência.

Mas eu tinha outras preocupações ainda maiores naquela fase: os cuidados  especiais para trocar a fralda com a órtese, o sono e a manutenção do estoque de  leite materno para as mamadas na escola.

Era a primeira vez que estávamos nos separando. Doeu muito. Mas a minha intuição de mãe falou mais alto e eu sentia que estava fazendo o melhor para todos nós. Isso era o melhor que eu e meu marido podíamos fazer naquele momento? Era. E essa é a pergunta que você deve fazer sempre que houver necessidade de mudar alguma coisa na rotina de seu(s) filho(s).

Depois de conhecer a escola, e isso recomendo a todos, conversamos com a coordenadora pedagógica e com a diretora. Elas foram orientadas sobre o tratamento do meu filho.

Tivemos de explicar sobre a necessidade de mantê-lo com a órtese, mesmo em situações em que precisariam retirá-la. Elas respeitaram, seguiram todas as recomendações e, por enquanto, o Martim nunca foi tratado com diferença por usar uma órtese em nenhuma escola em que foi matriculado.

Demorou algum tempo até encontrarmos essa "escola ideal" para ele. Muitas, infelizmente, ainda não estão preparadas para receber alunos com necessidades especiais. 

Na primeira adaptação do meu filho na escola ele ficou apenas uma hora, no primeiro dia. No segundo, permaneceu por duas horas e no terceiro cumpriu o período de quatro horas e meia. Se eu voltei para casa? Não tive coragem. Ficava dando voltas pelo quarteirão da escola, parava em uma pracinha, chorava e aguardava ansiosamente o momento de ir buscá-lo. Ô, fase!

Meu filho ficou em uma escola particular durante cinco meses. Infelizmente, as condições não nos permitiam mais mantê-lo naquela escola. Em 2019, prestes a completar um aninho, uma nova adaptação foi necessária e mudamos ele de escola. Nessa eu pude acompanhar o período de adaptação dentro de sala, observando a rotina das crianças.

Nessa fase, o Martim usava a órtese por 14h (das 20h às 10h) e enfrentaríamos outros desafios: ele estava com 11 meses, começando a engatinhar e tombava toda vez que alguma criança puxava a órtese ou encostava nele sem querer.  Era necessária ainda mais atenção aos movimentos dele e das outras crianças que ficavam curiosas para chegar perto da ‘botinha’. Mais uma novidade: ele permaneceria na escola por mais tempo do que na primeira escola, são sete horas longe da gente. 


Mudar nunca é tão fácil. Até nos acostumarmos com determinada rotina leva um tempo e esse tempo deve ser respeitado sempre.

O tempo passou. Chegamos em 2020! Martim cresceu, mudou de sala, de professora e se separou de alguns amiguinhos. Nos primeiros dias chorou horrores, ficou mais manhoso enquanto estava com a gente. Aos poucos, bem lentamente, está se readaptando.

Nós, como pais e cuidadores, temos também a responsabilidade enorme de perceber quando o (a) filho (a) não está bem e é preciso fazer alguma coisa. No meu caso, notamos que ele não estava 100% confortável. Apesar dele ter menos de dois anos, conversamos em casa, explicamos a situação e ele entendeu, pelo menos algo nele mudou. Já não está mais choroso como nos primeiros dias na hora de deixá-lo na escola, durante o período em que está na escola tem interagido com todos (sem chorar) e no tempo dele.

A escola recomendou que desenhássemos junto com ele no lençol usado por ele na hora da soneca. Achei a ideia ótima! É uma forma dele "estar perto" da gente mesmo na escola.

Outra rotina que adotamos foi a mochila de rodinhas. É uma bobagem, mas não para ele que adora o desenho da Patrulha Canina e agora pode carregar os personagens pra lá e pra cá. 

Não existem regras cada família encontra a melhor maneira de fazer com que seu (sua) filho (a) se adapte melhor. Nessa etapa tudo é valido, desde que seja feito com amor e por amor.

 

Mundo Adaptado
Franciela Fernandes
Franciela Fernandes Seguir

Sou Jornalista, casada, mãe do Martim - um menino cheio de vontades, sorridente e dócil. Adoro conhecer e me emocionar com histórias de vida. Sei que temos muito a adaptar neste mundo nem sempre adaptável, mas podemos e devemos fazer a nossa parte.

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