Não esqueça da mãe
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Não esqueça da mãe

Começa ainda na gravidez. A notícia da nova vida, os preparativos, as perguntas sempre sobre o bebê, sobre o enxoval, sobre quando nasce o novo membro da família. Em seguida, vem o parto e aquele tico de gente começa a brilhar, transpirar fofura e atrai todos os olhares. A mãe? Às vezes a gente até esquece de dar oi  direito porque estamos babando por tamanha doçura em forma de bebê. Mas, não para por aí.

São nos pequenos detalhes que vamos deixando a mãe em segundo plano. Nos esquecemos, sem perceber, que ao nascer um bebê nasce também uma mãe! Uma mãe que é a nova versão daquela mulher sempre tão independente e segura.

Umas enfrentam o puerpério, a montanha-russa das emoções, como cenas de comédia trash americana. Mas, eu vejo mais casos em que o puerpério se parece com drama contemporâneo francês com pitadas de terror do Stephen King.

E como se não bastasse essa avalanche de hormônios e dezenas de adaptações em rotina desconhecida, muitas mulheres ainda não dormem o necessário, dão conta de uma casa e às vezes de outro filho, vivendo o que eu chamo de ‘solidão acompanhada’. Aquele doída em que todos dizem “ela dá conta!”; “ela é uma ótima mãe”; “ela vai se adaptar”;  “vida de mãe é assim mesmo”; “filho dá trabalho”.

Eu não sei vocês, mas depois que tive filho comecei a notar que a maternidade é sempre dita como sublime só que tratada como peso, servidão unilateral, caminho sem volta. Nasce um bebê e morre uma mulher?! NÃO!

Não esqueça da mãe! Da mulher com quem se casou, da filha carinhosa, da amiga engraçada, da vizinha quebra-galho. Ela continua viva e ajudas simples são sempre bem-vindas.

Que tal levar um café da tarde entre uma mamada e outra e jogar conversa fora? Preparar uma comidinha e levar pra ela não se preocupar com a refeição do dia? Vale passar na farmácia ou horti fruti e deixar na portaria do prédio. Vale todo carinho, ajuda e compreensão.

Mães tranquilas cuidam melhor de seus bebês e podem viver a maternidade em sua plenitude. Além disso, ter amigos é sempre bom em qualquer fase da vida. Por isso, não esqueçam a mãe...a que é amiga, esposa, irmã, filha.

Mundo Adaptado
Beatriz Yuki
Beatriz Yuki Seguir

Jornalista, mãe do Pedro - um menino adorável que nasceu prematuro com 25 semanas de gestação.

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