Minhas trilindas
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Minhas trilindas

E de repente me vi grávida, assim, sem planejar, no primeiro ultra, um susto tremendo... 3 bebês... e agora? Faz exames, toma vitaminas, evita esforço, e a cada semana ultrassom pra acompanhar, e assim fomos levando, com 4 meses comecei a fazer repouso em casa, tinha muitas contrações, muitas mesmo, o colo do útero estava baixo e se olhasse bem já dava pra ver a cabeça de uma das meninas.

Com 26 semanas me internei pra continuar o repouso no hospital, lá seria melhor assistida. Me internei no dia 07/11 as 10 da manhã e na madrugada do dia 08/11, as contrações aumentaram, chamei a enfermeira, pq o desconforto estava grande, fui transferida, não sabia pra onde e de repente vejo meu obstetra me falando que elas iriam nascer... oi? Já? Sim... agora!

E foi assim que a Estela, a Marina e a Laura chegaram, super apressadas, com 30cm e pouco mais de 700gr cada uma, e apesar de tão pequenas estavam com os olhos aberto e ouvi até um choro (na verdade foi um miado), que emoção, que medo, que tensão.

Depois que acordei, não sabia o que esperar, o marido estava desesperado, a equipe da UTI não tinha conseguido falar com ele ainda e o medo tomou conta da gente.

A noite fui visitá-las e era tão minúsculas, nem parecia que tinham pele e foi aí que percebi que a nossa estadia seria longa e árdua.

Foram longos 105 dias, vibrando por cada ml de leite materno que elas estavam aceitando, por cada grama ganhado, ajoelhando no meio da UTI qdo o oxímetro quase zerava, qdo uma delas se “extubava”, ver as 3 precisando de sangue, as suspeitas de infecção. Qdo as 3 tiveram que fazer cirurgia pra fechar o canal arterial, e chorar compulsivamente na capela do hospital depois de ver as 3 chorando de dor qdo voltaram da anestesia (choro mudo, aquela expressão sofrida que nunca vou esquecer)

Nunca chorei na frente delas, sempre me mantive forte, elas precisavam de mim, que eu acreditasse nelas, na força de cada uma e assim passava meus dias, correndo de um lado para o outro me revezando entre as 3 incubadoras, e os dias foram passando e elas foram crescendo, foram pro berço aquecido, começaram a usar roupinha... cada dia uma coisa nova.

Pude começar a pegá-las no colo depois de 40 dias, primeiro foi a Estela, depois a Marina e a Laura demorou tanto... ela era a mais frágil, e não tinha um dia sequer que eu não perguntava se hj seria o dia de pegá-la.

A alta da Estela e da Laura foi depois de 90 dias, a Marina demorou 105, ela não conseguia manter a saturação ao mamar, e quando começamos a dar leite mais espesso e foi ótimo pra ela e finalmente foi pra casa.

A Estela saiu com recomendação de acompanhamento de oftalmologista, pq teve retinopatia da prematuridade, no olho esquerdo. As consultas eram semanais, e não foi preciso nenhuma intervenção.  Hoje ela usa óculos, tem 3 graus de miopia no olho esquerdo e essa foi a única seqüela.

Estão com 4a8m,  carregam as cicatrizes da cirurgia que fizeram nas costas e dos acessos nas mãos e nos pés, e faço questão que tenham orgulho de cada marca nos seus corpos, pq essas marcas são das guerreiras e vencedoras que elas são.

PS: Essa foto foi tirada pelo anestesista, no dia da cirurgia , elas tinham 30 dias e nem 1 quilo ainda

 

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