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Melissa, prematura extrema.

Melissa, prematura extrema.

Dia 23 de março de 2019, eu estava grávida de 24 semanas, acordei com muitas dores, logo me desesperei, meu marido me levou para o hospital (no qual não tem suporte algum para um caso desses) cheguei lá levaram mais ou menos uma hora para chamar a médica, quando ela chegou e me examinou minha filha já estava praticamente nascendo, me levou urgente pra sala de parto e já me preparou para o pior, nunca vou esquecer aquela frase "Mãezinha, infelizmente sua bebê vai ter que nascer, nos não temos o que fazer, você precisa ser forte, ela é muito pequena ainda dificilmente irá sobreviver " aquilo foi o mesmo que me matar ali naquele momento. 

Quando as dores começaram(as contrações) eu fiz de tudo pra não precisar que ela saísse de mim, eu queria de toda forma ficar com ela pra mim, queria de todo jeito que ela ficasse comigo e esperasse mais uns meses, mas... não tive escolha, quando menos esperei lá estava meu pinguinho de gente, 780 gramas, 24 semanas e chorando gente, isso mesmo ela tava chorando, nunca vou esquecer do meu marido todo bobo, feliz me dizendo que ela tava chorando(os médicos esperavam que ela nascesse sem vida e nós também) eu em estado de choque, nem sequer tive forças pra ir ve-la. Mas enfim, como o hospital não tinha suporte, tivemos que esperar a ambulância de UTI chegar pra levar ela para outro hospital, ela nasceu 9:00 horas da manhã, a ambulância chegou 11:30, incrível né, eu sei, ninguém esperava que ela fosse aguentar, mas a luta continuava a cada segundo, até  chegar no hospital que nos concedeu a vaga levava mais 1 hora e meia, mais uma vez os médicos diziam que ela não ia aguentar, mas ela aguentou gente.

E ela passou por cima de todos que diziam que ela não aguentaria, mas a história ainda tava longe de ter um final feliz, quando ela chegou (em torno de 13:00 da tarde) estava muito mal, precisou de ventilação mecânica com urgência, antibióticos(todos que você pode imaginar), foram várias transfusões de sangue, 1 transfusão de plaquetas, sonda, paradas cardíacas, respiratórias, infecções então, várias, foram 3 longos meses de UTI Neonatal, cada 5 gramas eu agradecia a Deus, era uma luta diária, uma hora tava tudo bem, na outra as vezes eu era surpreendida com uma notícia ruim, que ela teve uma queda, o primeiro mês de UTI dela pra mim foi terrível, ela tinha poucas chances e cada dia eu me ajoelhava no cantinho da cama e pedia pra Deus não tirar ela de mim, oferecia minha vida no lugar da dela, passava a noite acordada rezando e pedindo ajuda pra Deus e ao mesmo tempo louca de medo de uma enfermeira bater na porta me dizer que algo havia acontecido, quando eu ia ver ela na UTI eu abria a portinha da encubadora e pegava aquela mãozinha dela, um pouquinho maior que a minha unha e dizia pra ela "filha a mamãe tá aqui, não me deixa, você é forte, nos vamos sair dessa", o dia que eu pude pegar ela no colo então, Meu Deus, eu não sabia o que fazer de tanta felicidade.

Ela já estava mais de 1 mês na UTI e no dia das mães eu tive o privilégio de poder pegar ela, fiquei com ela 5 minutos mas para mim aqueles minutos viraram horas, poder tocar nela, dar meu colo pra mim foi tudo, foi o melhor presente que eu pude ganhar naquele dia das mães, e depois disso seguimos nossa luta, nada era certo ainda, na verdade a vida de UTI toda é incerta, talvez hoje tá tudo bem mas amanhã talvez já não esteja tão bem, mas seguimos nossos dias lá, rezando, pedindo forças pra Deus, e realmente, Deus é pai, hoje minha pequena está com 1 ano e 7 meses, me dando um trabalhão danado hahaha é muito esperta, ela é com certeza a razão de tudo pra mim.

É a força que eu tiro todos os dias, é o exemplo de superação que eu carrego comigo todos os dias, uma guerreira que já nasceu lutando!! Então eu digo para todas as famílias que estão passando por isso, que pra Deus tudo é possível, só ele quem sabe, e é nele que vocês precisam se agarrar e lutar!! 

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