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Jornada empreendedora no universo autista

Jornada empreendedora no universo autista

Olá pessoal! Sou a Maria Paula, trabalho no Sebrae Campinas e, atualmente, estou trabalhando para validar uma startup para o auxílio no diagnóstico precoce de crianças autistas.

Sou fascinada pelo mundo da inovação, sou gestora num programa de aceleração de startups e também acompanho empresas incubadas na Incamp - incubadora de base tecnológica da Unicamp.

Até hoje ainda não tinha me aventurado a empreender - apesar de o empreendedorismo ser algo diário em minha vida - porque ainda não tinha me deparado com algo que pudesse causar mais impacto do que o trabalho que já realizo. Para terem ideia, no ano passado, o Sebrae Campinas fez cerca de 50 mil atendimentos, auxiliando empreendedores e futuros empreendedores em seus negócios. 

Tudo começou com o meu sobrinho Lucca (o mais lindo da foto!). Quando ele ainda nem tinha dois anos, eu já desconfiava que pudesse ter autismo. Não que tivesse experiência no assunto. Mas, ele não fazia contato visual com as pessoas, nas festas da escola ficava muito incomodado, colocava as mãos nos ouvidos por conta do barulho, decodificava letras e números desde muito cedo, separava seus carrinhos classificando por tamanho e cor, enfim...ao procurar na internet informações sobre o assunto, tive certeza. Durante alguns meses insisti para que minha irmã o levasse no neuro. 

Amo ser tia (tenho uma filha grande já) e desde pequeno eu o levava para ficar comigo em casa. Tudo que a mãe não deixa, a tia faz (rs!) e quando ele fez 6 meses e minha irmã precisou voltar ao trabalho, tirei o mês inteiro de férias para poder ficar com ele. Desde esse período ele fica muito comigo. Hoje ele tem quase 4 anos e foi diagnosticado há poucos meses com TGD (Transtornos Globais do Desenvolvimento) - e isso aconteceu depois que minha irmã precisou trocá-lo de escola. Acompanhei o processo desde quando a minha irmã foi chamada na nova escola por uma professora completamente sem tato, consultas com o neurologista, psicopedagogo até o dia do diagnóstico. 

O que me fez iniciar a jornada em direção ao que faço hoje foi  a indignação perante um processo lento e moroso para o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Quem está familiarizado com o TEA sabe que os benefícios de iniciar as terapias antes dos 2 anos de idade são enoooormes e minha missão está em tentar fazer com que mais crianças sejam diagnosticadas antes dessa idade.

Agora comecei a fazer algo que sempre ensinei e apoiei os outros a fazerem: a validar o problema nesse tipo de novo negócio inovador. A vantagem do meu dia-a-dia ter a ver com empreendedorismo e também com inovação é que conheço o processo! Mas, só. Eu sei o tamanho do desafio que topei e tenho contato com muita ajuda desde o início desta jornada.

Disparamos um questionário sobre autismo na semana passada para validar algumas hipóteses em relação ao diagnóstico do TEA e as dores dos portadores e de seu familiares. Até agora tivemos mais de 450 valiosas respostas do país todo. A partir do feedabck também criamos um Grupo de WhatsApp de para mães, pais e tutores de autistas para trocar experiências.  

Conheci a Carla Delponte, criadora da Mundo Adaptado, em um dos grupo de WhatsApp que participava e, desde o início, ela nos apoiou e incentivou a irmos em frente nessa árdua caminhada. Para quem puder contribuir, deixo aqui o link para o questionário: https://forms.gle/AWordtLjdwKABnM68. Cada resposta é valiosa para nós.

Pensamos em perguntas que auxiliassem e balizassem a construção dessa solução. Ainda não sabemos qual será, mas temos algumas hipóteses para testar. Quando falamos de startup, as incertezas são muito grandes.

À medida que formos avançando no processo, iremos postar novidades para que possam acompanhar o andando o projeto. Há soluções interessantes sendo ofertadas através da tecnologia e algumas delas podem realmente facilitar a vida de muita gente. 

Vamos em frente! Abraços :)

Mundo Adaptado
Maria Paula Castro
Maria Paula Castro Seguir

Atualmente trabalhando no Sebrae Campinas. Tia do Lucca, diagnosticado com TGD aos 3 anos. Conselheira em algumas startups e adora empreendedorismo, inovação e desafios!

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