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Eu presenciei um Milagre - História do Léo cap.9

Eu presenciei um Milagre - História do Léo cap.9

Já era chegada a hora de deixar o quarto do hotel e ir para casa. Sensação desesperadora que ainda hoje ouço relatos das mães de UTI. Voltar para casa sem meu filho no colo não foi fácil, mas isso era um capricho diante do estado delicado que o Léo se encontrava. Mesmo assim eu chorei muito ao chegar em casa, parecia estar tudo diferente...afinal eu havia passado longas semanas internada grávida e depois o parto delicado. Mas eu só tinha motivos para agradecer a vida.

Meu marido suportou muita coisa calado, forte, mas por dentro eu sei o quão difícil era. Os dias eram longos, eu ficava das 8hs às 23hs no hospital. Chegava em casa e ainda orávamos na beira da cama, juntos e com fé. No outro dia a rotina continuava.

Eu agora estava conhecendo as histórias dos guerreiros da UTI, o primeiro foi um bebê que havia nascido menor que o Leo, o Pedro. Ele e sua família estavam indo para casa depois de longos meses e praticamente sem sequelas.

O Léo já estava em estado de coma, quase não se movimentava mais, e gravidade ainda era enorme. E entre idas e vindas, uma história chamou a atenção de quase toda a UTI. E foi essa história que me fez realmente acreditar que precisamos crer para ver e não ver para crer. Em meio a tanto sofrimento e luta pela vida do Leo, presenciamos uma história que jamais imaginei presenciar.

Havia um bebê prematuro que tinha nascido de 7 meses. A mãe chama-se Viviane e nos tornamos muito amigas. Fiquei impressionada quando soube que ela chegou toda sorridente na UTI Neonatal quando seu filho nasceu e logo descobri que o motivo era porque ela já havia passado por isso na primeira gravidez. E já estava familiarizada com o ambiente. Seu bebê chama-se Rafael. 

O Rafinha já estava na ala mais light da UTI, em um local com os bebês que estavam quase indo para casa. Tudo estava muito bem, mas de uma hora para outra ele começou a chorar incansavelmente. A equipe médica foi chamada e aproximadamente as 19:20hs,  o levaram de volta para a UTI neonatal. Os exames solicitados trouxeram a notícia devastadora. O Rafinha estava com problemas no intestino e precisaria de uma cirurgia de emergência.

A cirurgia foi marcada rapidamente, devido ao risco de alguma gravidade. Os médicos iniciaram e logo foi constatado o pior:

O intestino dele estava todo necrosado e não haveria mais o que fazer.

A equipe médica, uma das melhores do Brasil, tirou fotos e pedaços do intestino foram encaminhados para certificação e biopsia, e não deram andamento na cirurgia, porque era um caso sem solução para os eles.

O resultado disso tudo foi uma tristeza imensa. Lembro da Viviane com o Rafinha tão pequeno no colo, não largava dele. A ponto dos médicos pedirem para ela sair comer alguma coisa, descansar, e ela não saía de perto do filho. O hospital abriu exceção para visitação sem hora marcada apenas para o Rafinha. Era uma tristeza ver os parentes todos em volta da incubadora, em um clima muito triste. O Rafinha estava desenganado pelos médicos e até batizado ele foi no leito do hospital pelo padre e freiras do hospital, e sua madrinha nada mais foi do a Nossa Senhora, mãe de Jesus, segundo palavras da Viviane, a mãe.

Enquanto isso eu acompanhava tudo de "longe", o Léo estava na incubadora em frente, há uns 8 metros de distância, e também lutando pela vida. Antes era o mais grave da UTI e agora era o Rafinha, que para os médicos, não havia mais chance de sobrevivência pois o intestino estava condenado.

O clima era muito triste, mas depois das 72 horas que os médicos deram para ele, algo quase fenomenal aconteceu, o Rafinha evacuou. A UTI inteira correu para ver pois era impossível isso acontecer. 

O médico responsável não acreditava como ele podia evacuar se estava em coma induzido e sem alimentação há mais de 5 dias. Foram solicitados novos exames e constataram que não havia mais a infecção na corrente sanguínea e não tinha mais o ar dentro do abdômen como antes.

Uma nova cirurgia foi marcada para ver o que realmente estava acontecendo dentro do bebê, e constataram que o intestino dele está vivo novamente como se nunca tivesse necrosado.

Lembro até hoje do que a médica cirurgiã disse à Vivi: "Viviane, eu tenho fotos, o intestino não estava assim".

Após 4 dias da cirurgia, a Vivi foi até a Ilha dos médicos e enfermeiros, e pediu para que dessem a alimentação ao seu filho. Ela insistiu, disse que seu filho não iria morrer, e que era para dar sim o alimento a ele!

Os médicos acabaram cedendo, e deram a alimentação, apenas 1 ml de leite em uma gaze, o Rafinha ao sentir o gosto do leite sugava tão forte o dedo da enfermeira que mais uma vez todos choraram. Foram introduzindo a alimentação aos poucos, aumentando de 1 em 1 ml por dia, pois os médicos ainda tinham medo do intestino não absorver o alimento. E disseram para não dar outro tipo de leite a não ser o materno.

Tempos depois eu conheci uma enfermeira que virou mãe de gêmeos na UTI Neonatal. Conversávamos dentro da sala de ordenha e ela me disse:

"Carla, eu quero conhecer a mãe do Rafinha, porque um dos doutores que participaram da cirurgia chegou dizendo que não acreditava em milagres, até conhecer aquele bebê".

As freiras do hospital foram perguntar a Viviane se ela havia pedido para a Santa que levava o nome do hospital, pois caso afirmativo, iriam levar o caso para o papa. Mas ela não pediu apenas à Santa, então não foi o caso.

Isso tudo deve ter acontecido no prazo de uma semana, o Leo também estava entre a vida e a morte, e nesse contexto todo eu fiquei muito amiga da Viviane. Ela sabia da gravidade do meu filho e os ensinamentos que ela me trouxe foram de extrema importância para que eu acreditasse que se algo desta proporção aconteceu com o Rafinha, porquê não com o Léo também?

E então em um dia de UTI, ela me presenteou com um livro que sempre cito no começo dos meus textos: O Médico Jesus. Esse livro me acompanha até hoje, e me empodera, fortalecendo a minha fé independente de qualquer situação.

Eu presenciei um milagre ou a força do poder da mente de uma mãe corajosa, tenha o nome que tiver, a fé da Viviane mexeu demais comigo. E até hoje guardo essa história com carinho pois ela me trouxe muito da pessoa que sou hoje.

Hoje somos grandes amigas, como muitas outras mães de UTI que conheci e admiro.

Abaixo um vídeo do Rafinha no aniversário dele em setembro de 2018. As palavras dele traduzem essa emocionante história.

 

No vídeo ele fala que hoje é aniversário dele (1 de setembro),  que esta fazendo 6 anos, e quando ele era pequeno ele fez uma cirurgia e o médico desenganou ele, mas hoje está aqui e agradece muito a Deus.

 

Já leu o capítulo anterior da história do Leãozinho Leo? 

Caso queira se inteirar de toda história, entre no link abaixo:

 

https://mundoadaptado.com.br/blog/ganhando-independencia-historia-do-leo-cap8

 

Ou acompanhe todos os textos da história aqui:

https://mundoadaptado.com.br/leo/t

 

 

Mundo Adaptado
Carla Delponte
Carla Delponte Seguir

Empreendedora Social, Atriz, e mãe do Léo, um leão guerreiro!

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