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Dicas para montar o enxoval de bebês com Pé Torto Congênito (PTC)

Dicas para montar o enxoval de bebês com Pé Torto Congênito (PTC)

Você soube durante a gravidez que seu filho(a) vai nascer com o Pé Torto Congênito (PTC)? Seu filho(a) nasceu e você soube no parto que ele tem o Pé Torto? Sabia que nasceria com a deformidade, mas nem pensou no enxoval? Ganhou muita coisa e tem receio que não dê para usar? O conteúdo de hoje é sobre dicas para mamães que estão vivendo esse desafio na hora de montar o enxoval do bebê que nasceu ou nascerá com o Pé Torto Congênito.

No meu caso, fiquei sabendo durante a gravidez que meu filho nasceria com o pé esquerdo torto, mas não me atentei aos detalhes para o enxoval. E também poucos familiares e amigos sabiam dessa condição e todos os presentes que ganhamos foram ‘normais’, para bebês ‘normais’. Infelizmente, depois que ele nasceu, e percebendo que não conseguiríamos usar todos os presentes, em especial sapatinhos e macacões, acabei doando boa parte do que não consegui adaptar para ele usar. Com dor no coração de nunca ter usado tantas peças lindas, mas doei pensando que outros bebês poderiam aproveitar.

Se você é mãe de um bebê com PTC opte por macacões e calças sem o pé fechado. Por causa dos gessos, no início do tratamento, não dá para colocar modelos que tenham os pezinhos fechados,  nem aqueles cheios de detalhes ou botões diferentes.

Eu optei pelos modelos de macacões sem pés e com tamanhos maiores que os recomendados para recém-nascidos. Como o gesso acaba aumentando a circunferência na perna usar a roupinha mais folgada facilita o movimento do corpo do "nenê". 

Também não usamos sapatos até meu filho entrar na fase da órtese. Seu primeiro sapatinho foi aos oito meses e era só para enfeitar mesmo. Antes disso, só meias das mais variadas possíveis: coloridas, antiderrapantes, mais finas, mais grossas, tipo pantufa ou que imitam sapatilhas. 

Na hora de fazer o enxoval tenha em mente que não adianta comprar determinado modelo só porque é ‘bonitinho’. Deve pensar sempre que precisa ser prático para o bebê e para você na hora de vesti-lo.  

Eu sei que é uma fase difícil  porque queremos ‘enfeitar’ nosso(a) filho(a), usar itens fofinhos e estilosos. Lembro de ver os sapatinhos no armário e sentir aquele aperto no peito por não poder usar. Porém, não demorei muito para doar porque não queria abrir o armário e toda vez ter aquele mesmo sentimento de frustração. No fim, o mais importante pra mim era saber que o pé do meu filho estava sendo tratado e ele teria a vida inteira para usar calçados. E o melhor: ele poderá escolher!

Para os macacões que já estão no armário porque você comprou ou ganhou, minha dica é: ADAPTE! Corte os pezinhos e use "sem medo de ser feliz". Se encontrar calças com botões laterais, elas ajudam muito. Você não vai precisar movimentar muito a criança, com o gesso, na hora da troca de fraldas ou banho. Facilita bastante.

Meu filho usou poucos macacões para bebês. Usava mais calças e bodys. Depois, um pouquinho maior e até hoje, calça e camiseta de manga longa ou curta. Prefira calças confortáveis, com elástico mais fino, por exemplo, as de pijamas são ótimas.


Na fase do uso da órtese, além das roupas confortáveis e fáceis de manusear, enfrentamos um outro desafio: o calor! Como o material da órtese é grosso, a temperatura do pé aumenta e não tem muito como a pele "respirar". Isso faz com que o pezinho fique todo suado. Neste caso, corte as pontas das meias sem dó e deixe os dedinhos de seu filho (a) de fora. Ele vai adorar sentir um ventinho por ali. Apesar do calor, não tire as meias. A órtese deve ser usada com elas, de preferência aquelas mais grossas, para evitar machucar os pés da criança. 

Outra dica na hora de fazer o enxoval são os cobertores e produtos que possam servir de apoio na fase do gesso e órtese. Quando meu filho ainda era um recém-nascido, usamos diversos cobertores, "espuminhas" para apoiá-lo no berço e travesseiros para elevar a perna durante a fase do gesso e depois com a órtese.


Até hoje, com 1 ano e 9 meses, ele dorme com os protetores de berço para evitar bater a cabeça nas grades ou machucar as pernas a cada mudança de posição durante a noite. Não usamos mais cobertores, só mesmo se estiver muito frio. Prefiro deixar ele bem agasalhado durante a noite do que acordar dezenas de vezes porque a órtese enroscou no cobertor e fez com que ele virasse aquele ‘bolo de nenê’.  No calor, dependendo da temperatura,  visto apenas uma camiseta com ou sem manga e coloco uma cuequinha. Poderia deixar ele só de fralda? Sim. É uma questão de preferência.

Para os banhos, nós optamos pela banheira com redutor. Usamos muito e até quase um ano, porque ele ficava mais seguro e nós também.

Cangurus e afins

Não usei cangurus, nem sling porque havia a limitação da órtese e não encontrei um modelo ou maneira que desse para adaptar.

Carrinho

Optamos por retirar a bandeja do carrinho, aquela que fica na frente da criança e tem alguns espaços para colocar brinquedo e etc. Ela atrapalhava na hora de por e tirar ele do carrinho. Usamos sempre o cinto de segurança para evitar acidentes!

Por fim, deixo um recado para as mães e familiares de bebês com PTC: mais importante do que o enxoval dos sonhos é seu filho ser feliz e ter acesso a um tratamento de qualidade. Deixe seu filho livre sempre, na medida do possível, para que ele se desenvolva e adapte o que for necessário no enxoval. 

 

Mundo Adaptado®
Franciela Fernandes
Franciela Fernandes Seguir

Sou Jornalista, casada, mãe do Martim - um menino cheio de vontades, sorridente e dócil. Adoro conhecer e me emocionar com histórias de vida. Sei que temos muito a adaptar neste mundo nem sempre adaptável, mas podemos e devemos fazer a nossa parte.

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