Como falar com quem não ouve
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Como falar com quem não ouve

Mais do que tentar falar é fazer-se entender

Fazer compras, ir a uma consulta médica, acompanhar o desenvolvimento do filho na escola, realizar uma operação bancária são tarefas comuns e fáceis para a maioria da população. Mas para os surdos se trata de um desafio e tanto, já que são poucas as pessoas que sabem libras, a linguagem brasileira dos sinais, e conseguem se comunicar com eles.

É a dificuldade de comunicação, ou a total falta dela, a grande barreira para os surdos.

A “deficiência invisível”, como muitos costumam chamá-la, marginaliza quase sete milhões de pessoas só no Brasil. A exclusão dessa parcela significativa da sociedade poderia ser amenizada com gestos, como olhar nos olhos durante a conversa, o que facilita a comunicação com o surdo.

Uma forma de mantermos a comunicação com eles é através da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). Porém, nem todo surdo utiliza a LIBRAS. Há também os surdos oralizados. Eles se comunicam através da fala oral, leem os lábios e podem ou não usar próteses auditivas e/ou IC (implante coclear). Quando esses também falam a língua de sinais, são chamados de surdos bilíngues. “Para que se sintam valorizados e incluídos, é extremamente importante tentar conversar com os surdos com respeito e paciência".

Fale de frente
A expressão “o corpo fala” faz ainda mais sentido com os surdos. “Quando a pessoa fala de frente, ela traz a contribuição do olhar e de todo o corpo para a conversa”, explica Raquel. A percepção visual dos surdos é mais aguçada e eles conseguem captar a mensagem, seja pela leitura labial ou mesmo pela expressão facial, que contribui com o entendimento da mensagem.

Algumas dicas de como se comunicar com os deficientes auditivos:

Os surdos sinalizados geralmente lê os lábios pelo menos um pouco. Se você perceber ou souber que o surdo é usuário exclusivo da LIBRAS e realmente precisar falar com ele, fale de maneira simplificada. Ele provavelmente irá te entender e responder como puder (falando oralmente, por sinais ou até escrevendo);

Se o surdo usuário da LIBRAS estiver acompanhado de intérprete, dirija-se a ele e não ao intérprete;

Para chamar um surdo, você precisa de algum sinal visual ou tátil. Você pode abanar as mãos, acender e apagar uma luz ou até tocar o ombro dele de leve. Jamais dê um cutucão com força ou um tapa agressivo;

Não fale mastigando. Além de não ser educado, a mastigação atrapalha bastante a leitura labial, tornando os lábios ilegíveis. Não adianta insistir. Termine de mastigar e, só aí, conclua a conversa;

Evite ambientes escuros. A iluminação é um fator que influencia muito a leitura labial. Se a iluminação ambiente não for adequada, vale qualquer improvisação: isqueiro, lanterna e até a luz do celular;

Espelho é um grande aliado nessas horas. Se você estiver no banco da frente de um carro, por exemplo, e quiser falar com um surdo oralizado no banco de trás, posicione o espelho retrovisor de modo que ele visualize sua boca;

Fale de frente para a pessoa articulando bem os lábios;

Fale de um jeito natural. É mais importante falar devagar do que gritar;

Seja direto, evite frases muito longas;

Se a pessoa pedir para repetir, repita;

Evite conversar em ambientes com muito ruído;

Quando houver várias pessoas no mesmo local, peça que cada um fale de uma vez e não todos ao mesmo tempo.

De tudo isso, se sentir à vontade, toque gentilmente no deficiente auditivo, fale claramente e repita se necessário que ele irá entender.

Mundo Adaptado
raquel luzardo
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fonoaudióloga - FONOterapia

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