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Natal e réveillon X internações hospitalares

Natal e réveillon X internações hospitalares

Estar internado em um quarto de hospital ou UTI é muito difícil! Só não é mais difícil do que passar por essas situações enquanto todo mundo está comemorando o natal e o réveillon. 

Graças a Deus hoje os hospitais se preocupam mais com as datas comemorativas e, de um jeito ou de outro, fazem alguma coisinha para animar um pouco o paciente e seu acompanhante.

Na época em que meu filho nasceu fiquei 90 longos dias com ele na UTI Neonatal. Passou outubro, novembro e dezembro chegou com meu aniversário, natal e réveillon. Minha vontade era não comemorar nada. Mas, poxa vida, seria muito injusto com minha família e até comigo mesma deixar passar meu aniversário sem comemorar mais um ano de vida. E assim, decidi jantar fora e cantar parabéns.

A mesma coisa no Natal. "Todo mundo" feliz preparando as ceias, comprando presentes e eu amargurava por não ter meu filho em casa para aproveitar seu primeiro natal. O hospital em que ele ficou internado preparou um almoço de véspera para os funcionários e permitia que as mães da UTI Neonatal partilhassem desse dia. O menu era diferente, havia música, sobremesa...uma forma de deixar mais leve o fato de que eles precisam trabalhar e nós ficarmos com os bebês enquanto o mundo comemorava o natal. Foi um bom momento de descontração!

E o réveillon? Eu que estava acostumada a viajar, me via sentada ao lado da incubadora por horas. Todo dia a mesma rotina desgastante. Era difícil aceitar tudo aquilo: o parto prematuro, os riscos de saúde e vida, a impossibilidade de fazer algo para melhorar a situação...

Quando deu meia noite do dia 31 de dezembro ouvi os fogos estourarem na Avenida Paulista, região onde ficava o hospital, e era um misto de alegria pela vida do meu filho e de tristeza por estarmos ali. Mas, sabe o que passar esses dias "sem festa" me fizeram enxergar?

A festa está dentro de você e existe muita solidariedade entre as famílias sob as mesmas condições. Escolher COMO passar essas datas é, de certa forma, uma responsabilidade nossa. No dia 31/12/2012, quando vivi essa experiência, vesti uma roupa na qual me sentia bonita. Fiz maquiagem e escolhi bijuterias que gostava de usar. Decidi que brindaria a vida! Maior motivo não há! Meu filho estava vivo, evoluindo e torcia para que ainda tivéssemos muitos réveillons para festejar.

Recebi abraços calorosos das enfermeiras, auxiliares e de outros pais que estavam ali ao lado de seus pequenos bebês, mas com um sorriso no rosto. Com o coração enchendo de esperança de que no ano seguinte aquilo seria só lembrança.

Aprendi também a não julgar. Tiveram pais, que são meus amigos até hoje, que optaram por festejar em casa com o resto da família ao invés de passar no hospital. Quem sou eu para julgar se isso está certo ou errado? Vai ver eles precisavam estar com seus familiares para se sentirem acolhidos, para renovar a esperança de dias melhores ou simplesmente descansar a mente que fica MUITO sobrecarregada em um ambiente hospitalar. Todas essas opções são válidas!

Eu mesma estava cansada. Exausta de ir diariamente para o hospital e ficar mais de 8 horas dentro da UTI Neo com aqueles barulhos dos aparelhos, a rotina estressante, a repetição das mesmas demandas e exames. Cada um sabe onde dói e o peso que consegue carregar.

Então, se você está passando por esse momento de festas e está internado ou acompanhando alguém, tente lembrar que a festa está dentro de você. Que haverão outras oportunidades para comemorar natal e ano novo. E que o real sentido dessas festas é estar com quem amamos. E você com certeza está acompanhando alguém que é muito importante para você: filho(a), pai, mãe, avós...

Deixo aqui algumas palavras que gostaria de ter ouvido na época:

- Não se preocupe com a opinião das outras pessoas. Se tem vontade de ir cear com o restante da família, vá e não sinta culpa. Ninguém merece sentir solidão nesses dias!
- Se prefere ficar no hospital, fique e tente fazer o dia mais leve sem reclamar que gostaria de estar em outro lugar. Aproveite para conversar com outras famílias que estão no mesmo "barco" que você. Certamente eles também gostariam de ter momentos mais divertidos;

- Não perca a chance de vestir-se e arrumar-se para esses dias de festa;

- Participe das atividades que o hospital oferecer. Elas ajudam a passar o tempo e podem render bons momentos;

- Tá liberado se sentir feliz mesmo estando em um momento difícil de internação! Nosso filhos, familiares e pacientes precisam ver nossa energia, coragem e alegria para se inspirarem em nós e não se sentirem pesos em nossas vidas.

Bom natal, pessoal! E um ano repleto de saúde para todos nós. 

 

Mundo Adaptado ®
Beatriz Yuki
Beatriz Yuki Seguir

Jornalista, mãe do Pedro - um menino adorável que nasceu prematuro com 25 semanas de gestação.

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