A contribuição do aleitamento materno para o desenvolvimento psíquico do bebê
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A contribuição do aleitamento materno para o desenvolvimento psíquico do bebê

Embora o aleitamento materno seja uma opção e que fatores culturais, grau de escolaridade ou de entendimento influenciem consideravelmente nessa escolha, ressalto aqui alguns pontos importantes referentes ao desenvolvimento psicológico e emocional da criança que tem o privilégio de desfrutar dessa prática.

Durante toda a gestação mãe e bebê estão ligados pelo cordão umbilical e o seio materno pode ser entendido, simbolicamente, como a extensão desse cordão após o seu rompimento no nascimento do bebê. O rompimento do cordão umbilical seria o início da vida independente e o aleitamento materno promove a busca do conforto experimentado no útero, a segurança e o aconchego que o bebê sentiu durante todo o período da gestação.

Sendo assim, a amamentação diminui o impacto que pode ser causado pela “separação” mãe e bebê no parto. Ela propicia que esse “desligamento” possa se dar aos poucos na medida em que o bebê entenda melhor essa condição e sinta-se mais seguro.

Em uma de suas teorias, Winnicott afirma que no momento em que a mãe segura o seu bebê para amamentá-lo ele a sente como parte de si mesmo, pois ainda é incapaz de introjetar a realidade externa. Ou seja, tudo o que para nós é externo é sentido (inicialmente) pelo bebê como parte de si mesmo.

O contato, a vocalização e o calor corporal são fatores que promovem o bem-estar e a segurança tanto do bebê quanto da mãe que, durante todo o processo, prepara-se também para adquirir confiança de que será capaz de suprir as necessidades do seu bebê e conduzi-lo a um desenvolvimento saudável. Ainda de acordo com a teoria Winnicottiana, a mãe deverá funcionar como um “ambiente facilitador”, aquele que promoverá cuidados suficientemente bons e protegerá o seu bebê . Desta forma, é possível o estabelecimento da relação afetiva entre mãe e bebê e o desenvolvimento de um vínculo de confiança e amor como resultado de todo esse processo.

Vale ressaltar que Sigmund Freud, em uma de suas teorias, descreveu a fase oral como um importante fator para o desenvolvimento psíquico de uma criança. No primeiro ano de vida o bebê tem a boca como foco de gratificação libidinal derivado do prazer de se alimentar no seio da mãe. Nessa fase, a criança estabelece uma relação de confiança com a mãe por meio da amamentação para posteriormente ser capaz de sentir-se segura para explorar o ambiente (momento em que passa a levar os objetos até a boca). A satisfação oral que a amamentação materna propicia é um fator importante, a falta da amamentação ou desmame precoce pode suspender essa gratificação causando essa busca em outro momento da vida.

Alguns estudos apontam os transtornos alimentares e dependência da nicotina como consequência de dificuldades na fase oral. Podem ocorrer também prejuízos na futura formação da capacidade de confiança e na relação de troca (dar e receber).

Portanto, fica registrado nesse pequeno texto a relevância do aleitamento materno como um importante fator para o desenvolvimento da criança, da sua estruturação psíquica e da sua futura constituição como sujeito.

Fique atento: Se você amamenta ou conhece alguém que está amamentado, porém encontra dificuldades na realização dessa prática é importante buscar orientações com um profissional capacitado. Ele poderá esclarecer suas dúvidas e ajudá-lo nesse processo tão importante para o bom desenvolvimento do seu bebê.

As dificuldades encontradas nessa fase podem gerar angústias e até o desejo de desistência. Seja persistente e solicite ajuda. Com orientações e esclarecimentos é possível fazer da amamentação um momento proveitoso, prazeroso e afetuoso.

Em caso de questões relacionadas às dificuldades emocionais ou de aceitação do momento em questão, procure um psicólogo para avaliar o caso e orientá-lo. Sua iniciativa pode fazer toda diferença!!

Flávia Moreira dos Santos Neto - Psicóloga

CRP:06/115361

*Curso de pós graduação Método NeuroPoint- Desenvolvimento e potencialidade infantil pela Universidade de Ciências pedagógicas de Havana, Cuba.

*Pós graduada em Saúde Mental e Psiquiatria Multiprofissional pelo Centro de Estudo João Amorim- CEJAM

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Flávia Moreira
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Psicóloga *Pós-graduação Método NeuroPoint- Desenvolvimento e potencialidade infantil pela Univ. de Ciências pedagógicas de Havana (Cuba). *Pós-graduação em Saúde Mental e Psiquiatria Multiprofissional pelo Centro de Estudo João Amorim- CEJAM

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