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A busca por um novo médico ortopedista para tratar meu filho com pé Torto Congênito (parte1)

A busca por um novo médico ortopedista para tratar meu filho com pé Torto Congênito (parte1)

Logo após o falecimento do Dr Itamy médico que iniciou o tratamento de Pé Torto Congênito (PTC) do meu filho Gabriel, fomos buscar outro profissional. Nem imaginávamos que seria tão demorado e difícil de encontrar um profissional que trataria de forma correta e séria. Moro na zona rural de Itamonte, uma cidade pequena de Minas Gerais. Com poucas opções de ortopedia e sem nenhuma infantil.

O médico que faleceu era particular e atendia em hospital, também tinha outro que atendia na Unidade Básica de Saúde (UBS), então fomos até esse único que nos restava. Naquele momento ainda  estávamos sem entender como era o tratamento para Pé Torto.

O médico que começou o tratamento foi um anjo nas nossas vidas, já relatei em outro post por aqui. Só falhou em não nos explicar como seria o tratamento, o que nos deixou totalmente perdidos e sem saber o que fazer. 

Chegando até o novo médico ortopedista da UBS, contei o que já havia sido feito: as trocas semanais de gessos, o procedimento no tendão, mais um mês de gesso e o início do uso da órtese por 23h. Contei que o médico que estava tratando do caso tinha falecido e o meu filho não estava aceitando a órtese. Chorava muito e nós nos desesperamos e retiramos a ‘barrinha’ de ferro fixada na botinha, deixando apenas com as botas. 

O médico explicou que não tem como uma criança ficar com os pés presos. Nós, sem entender e conhecer o tratamento, concordamos. Depois ele pediu um exame de Raio X para o mês seguinte, e no terceiro mês, era pra nós levarmos o resultado. Três meses foram  "escorridos pelo ralo" e eu pensando que ele ia ver no exame que os gessos haviam surtido efeito e corrigido os pés do meu filho, que seria necessário uma bota ortopédica para andar, apenas. Até porque foi o que o médico mesmo disse para nós, caso os pezinhos tivessem na posição correta.  

Muito engano! Voltamos no terceiro mês com o resultado do exame e ele disse que ainda estavam tortos  e teríamos de fazer mais sessões de gessos. Nos orientou que atendia aqui na nossa cidade apenas duas vezes no mês, então encaminharia a outro ortopedista para realizar a troca semanal do gesso. Somente depois disso, é que voltaríamos com ele para dar continuidade ao tratamento. 

O susto e a tristeza tomaram conta de mim naquele momento. Eu só pensava: 'gesso de novo'.  Perguntei a ele se, após o gesso, ele usaria a bota ortopédica para andar. Ele informou que sim. 

Saí de lá, mais uma vez, como se o mundo estivesse caindo sobre a minha cabeça. 

Mas Deus foi me dando forças, nem quis passar na secretaria de saúde com o encaminhamento porque sabia que o processo seria lento e resolvi marcar com um ortopedista de uma cidade vizinha, que já tínhamos ouvido falar. Assim esse poderia dar continuidade o mais rápido possível. 

Na semana seguinte, fomos neste terceiro médico. Contei o histórico todo de novo e o médico disse: ‘vamos iniciar o gesso na semana que vem. O horário que tenho não dá tempo de fazer o gesso, não faço gesso aqui no consultório e sim no pronto- socorro’. 

Explicamos que morávamos um pouco longe e que o tratamento já estava atrasado, mas não adiantou. Tivemos de esperar mais uma semana. Mais uma semana depois, seguimos para o pronto-socorro como havíamos combinado e foi retomada a colocação do gesso.

Mesmo sem entender direito eu achei estranho. O gesso, dessa vez, era da ponta dos dedos até o joelho. Perguntei o porquê e ele disse que era pra ficar mais confortável para o Gabriel e que não prejudicava na correção dos pés. Se era assim, naquele momento, eu até achei bom. 

Nessa fase meu filho começou a engatinhar e de gesso, dentro do tempo normal de uma criança engatinhar. Foi mais uma conquista do Gabriel e nossa também, é claro! Muita alegria...

Foram feitas seis trocas de gessos. Todos curtos (até o joelho). Na verdade, eu não estava de acordo, o gesso ficava meio solto. Teve uma semana que colocamos em um dia e no outro saiu de uma perna. Além de dar alergia nas perninhas do Gabriel, coisa que quando era bebê recém-nascido não teve. 

Liguei para o médico e avisei que tinha saído o gesso de umas das pernas. ‘Semana que vem coloco nos dois’, disse ele. 

Todos os gessos eram retirados em casa antes da consulta. Depois de um mês e meio trocando os gessos semanalmente, o profissional nos orientou a voltar a ser atendido pelo médico ortopedista da nossa cidade, para ele dar continuidade ao tratamento. E assim fizemos. 

Chegando na consulta, o médico olha, examina e pergunta para nós como foi a colocação dos gessos. Contei e mais um susto: estava TUDO ERRADO! 

A maneira que havia sido colocado estava incorreta, os pés do Gabriel estavam do mesmo jeito de antes. Teríamos de recomeçar mais uma vez. 

Por alguns segundos, naquele momento, eu quis morrer. Não estava acreditando no que estava ouvindo. 

Perguntei se ele tinha certeza do que estava falando e ele disse que sim. Questionei sobre a bota ortopédica para andar se não resolvia e ele explicou que primeiro era preciso corrigir com o gesso e depois seria a etapa da bota. 

Outro encaminhamento foi feito, solicitando à secretaria de saúde que procurasse o local que fizessem a manipulação em gesso de maneira correta. 

Dessa vez, decidimos não marcar por conta própria. Afinal, não tínhamos o mínimo de conhecimento e experiência sobre o assunto.  Saí de lá e fui até a secretária de saúde para agendarem, de lá nos mandaram até a enfermeira chefe da unidade básica de saúde (UBS) do meu bairro e ela marcaria.  Contei a situação e ela informou que a referência deles era em outra cidade, próxima da nossa. Lá, havia Centro Especializado em reabilitação. A princípio seria feito apenas um cadastro e chamariam a gente. Teríamos de aguardar. 

Com o 'coração na mão' e pedindo a misericórdia de Deus, falei para ela fazer o cadastro. Na hora faltaram alguns documentos, que acabamos mandando depois para ela poder finalizar. 

A nossa história não acaba aqui. No próximo post, vou dar continuidade a esse relato. Até breve!

Mundo Adaptado
Joselene Andrade
Joselene Andrade Seguir

Sou casada e mãe do Gabriel- que nasceu com o pé torto congênito (ptc), "meu pezinho de ouro". Maternidade atípica. Costumo dizer que ele é o presente mais lindo que Deus me deu.

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