Todos os dias, uma mãe atípica acordava cedo, preparava os remédios, a alimentação, fazia os estímulos e ainda conseguia sorrir com o filho no colo.
Ela era cansada, mas seguia em frente com amor e dedicação. Um dia, disseram a ela que, para ter acesso aos direitos do filho, precisava de laudos. Muitos laudos. Passou a ir de especialista em especialista, carregando pastas e explicações repetidas. Logo, mandaram ela juntar protocolos, documentos, cópias autenticadas, pareceres e mais pareceres.
Depois, vieram as negativas. Então disseram: “Recorra.”Ela recorreu. Uma, duas, três vezes.E continuava cuidando, amando, dormindo mal. Só que agora com olheiras profundas e coração exausto. Criaram um comitê para avaliar os pedidos, uma junta para revisar os laudos e um sistema que vive fora do ar.
Um dia, um especialista comentou: “Ela anda abatida, pouco participativa, já não sorri como antes.”
E adivinha quem o sistema resolveu ignorar?
Ela. A mãe que não teve tempo de ser ouvida. Porque estava ocupada demais tentando garantir o básico.
Quem se reconhece?






