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Vamos falar sobre o "Get off the spectrum" Sair do Espectro Autista? E suas inconsistências avaliativas

Vamos falar sobre o

 

Vamos falar sobre o "Get off the spectrum" Sair do Espectro Autista? E suas inconsistências avaliativas e profissionais.

Recentemente um estudo feito pelo conselho internacional de neurociência em conjunto com órgãos regulamentadores efetuou uma nova abordagem ao tema "Get off the spectrum" ou sair do Espectro Autista conforme vem sendo abordado por alguns profissionais relacionados a transliteração de conteúdos. Processo comum de tradução no Brasil onde não são levando em considerações abordagens primeiras da cultura para o entendimento regionalizado de determinada terminologia ou nomenclatura.

Como já é de costume de tempos em tempos, surgem histórias de crianças, adolescentes e adultos que parecem ter simplesmente "superado" ou eliminado um diagnóstico precoce de autismo.  Essas histórias geralmente se relacionam a uma ou outra abordagem terapêutica - ABA, uma mudança na dieta ou alguma outra técnica para melhorar os sintomas autistas. Conforme estudos apontam é realmente possível para uma pessoa ser diagnosticada com precisão com autismo quando criança e depois "crescer" com a suposta saída do espectro autista?

Conforme avaliações recentes por abordadas em conjunto e avaliadas pelo conselho internacional de neurociência, neurologia e psiquiatria, oficialmente, a resposta é "não"

Siri Carpenter escritora, cientista, premiada com Madison, Wisconsin, ativista e a primeira autora do livro de psicologia Visualizing Psychology (John Wiley & Sons, 2007). Traz a reflexão para os contextos atuais, de acordo com o DSM-5 (o manual de diagnóstico que atualmente descreve os distúrbios mentais e do desenvolvimento nos Estados Unidos e em muitos outros países), a resposta é não, não é possível sair do autismo.

Em outras palavras, podemos observar que o DSM, categoriza os sinais do autismo para características de condições Coexistentes (Não apenas Comorbidades) esse processo do neurodesenvolvimento se apresenta cedo e continuam por toda a  vida quando abordamos observações do sistema interno para sua característica do sistema neural, embora os adultos possam "mascarar" seus sintomas, processo que costumo comparar com a camuflagem mesmo que em algumas situações esse processo não elimina o primórdio para sua metodologia de pensamento. Porém, de acordo com o DSM, é sim possível evoluir gradativamente não apenas entre os níveis podemos inclusive sermos favorecidos com características do processo evolutivo onde "crescer" no autismo se torna possível. Já com a abordagem primária à conclusão científica aborda que se de fato, se uma pessoa com diagnóstico de autismo parece superar, eliminar características únicas de seu processamento neural ao que corresponde aos seus sintomas iniciais, ela não foi diagnosticada adequadamente.

O autismo pode ser diagnosticado incorretamente, em alguns casos, um profissional pode colocar um rótulo de "autismo" em uma criança por causa de comportamentos e características que se enquadram nos critérios de autismo, mas não avaliam outros problemas subjacentes aos comportamentos.  Não são apenas características do autismo compartilhados por outros distúrbios relacionados (e não relacionados), mas alguns sintomas semelhantes ao autismo podem ser causados ​​por problemas físicos que podem ser abordados de maneira precipitado no diagnóstico.  

Por exemplo:

A fala tardia ou desordenada, um sintoma clássico do autismo, pode ser causada por muitos problemas diferentes, desde apraxia da fala até perda auditiva, isso não deve ser levado em consideração como característica única para a abordagem do Autismo, esses são problemas subjacentes que podem surgir em um discurso típico.

Problemas sensoriais podem levar a comportamentos avaliativos para o pré diagnóstico do autismo, mas é muito possível ter disfunção sensorial sem ser autista, vemos essas características constantemente relacionadas em pessoas deficiências adicionais onde sua percepção poderá ser compensada ou desregulada, um exemplo simples é minha visão monocular onde tenho uma compensação de 75% na parte auditiva direita, em paralelo a visão onde não enxergo levando em consideração apenas essa observação poderia não ser um fator primordial para tal diagnóstico, em contrapartida na audição esquerda eu apresento a mesma porcentagem em uma.soma total de acuidade auditiva que apresenta interferências além da deficiência.  Quando pegamos essa características  e ajudamos uma criança a gerenciar ou evitar ataques sensoriais, todos os comportamentos desaparecerão, diferente de um processamento pré definido.

Alguns comportamentos semelhantes ao autismo podem resultar de alergias, seletividade ou intolerâncias alimentares.  Se uma criança é alérgica ou intolerante a lactose ou glúten, por exemplo, remover esses itens de sua dieta pode ter um tremendo impacto positivo no aprendizado e no comportamento, em outras observações essa retirada ou controle suplementar em crianças típicas podem não representar nenhuma alteração em seu quadro.

Em muitos casos, as crianças são diagnosticadas com autismo quando um diagnóstico mais apropriado pode ser Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Ansiedade Social ou Transtorno de Aprendizagem Não Verbal. Quando esse for o caso, é possível que uma combinação de terapia cognitiva e medicação apropriada seja essencial. se fazendo visível a recuperação total de tais Comorbidades (Diferentes das Condições Coexistentes) com a não necessidade de um diagnóstico Autístico.

Com essa visão devemos abolir a nomenclatura "Get off the spectrum" ou Sair do Espectro, visto que muitos profissionais confundem o complemento terapêutico para melhora na qualidade de vida com o A.B.A / Denver em suas ramificações, as terapias e tratamentos médicos e profissionais podem sim melhorar radicalmente as Comorbidades (Doenças/Morbidsus/Latin) dentro do sistema neural o seu intelecto neurodiverso se manterá e caso esse aspecto não seja observado todo o tratamento das demais características podem se tornar infindáveis, embora as crianças com autismo não parecem "melhorar" ao longo do tempo sem intervenção, a maioria melhora ao longo do tempo com terapias e maturidade. podemos concluir que alguns melhoram bastante inclusive superando barreiras de divisão social para sua comunicação e defesa do seu meio, posso enumerar diversos Autistas, que demonstram superar diariamente suas dificuldades dentro dessa diversidade em que vivemos.

Observamos que profissionais de praticamente todas as terapias do autismo podem contar histórias de uma criança que começou com sérios desafios e, com o tempo, construiu habilidades significativas.  Em alguns casos, as crianças são descritas como "recuperadas" ou "indistinguíveis de colegas comuns".  A realidade, no entanto, é que a maioria das crianças que parecem "curadas do autismo" foi curada de algum problema físico ou psicológico que causa sintomas semelhantes ao autismo ou aprendeu técnicas e comportamentos de enfrentamento que efetivamente mascaram (Camuflaram como gosto de dizer) seus sintomas de autismo.

Se uma pessoa foi diagnosticada com autismo com precisão, ela ainda terá as mesmas diferenças que teve quando criança.  Ele quase certamente precisará de pelo menos algum apoio para gerenciar os desafios da vida moderna.  Mas, em alguns casos, ele pode ser capaz de "passar" como neurotípico em pelo menos algumas situações.

Quais filhos têm mais probabilidade de melhorar consideravelmente no Autismo?

Crianças com o Autismo severo relativamente podem sim melhorar até o ponto em que é capaz de se apresentar bem em diversos ambiente como escolas,  viagens, passeios e participação social.  Mas isso dependerá de diversos fatores já citados como terapias, medicamentos, tratamentos e acompanhamento médico profissional. Embora a inclusão possa ser apropriada por um período de tempo, a maioria das crianças com autismo severo ou moderado acha difícil ou impossível gerenciar demandas cada vez mais complexas nas áreas de comunicação social, funcionamento executivo e raciocínio abstrato com isso esse acompanhamento poderá ser constante e intermitente, onde as melhorias devem ser sempre observadas e avaliadas em uma constância adequada, aqui observamos que nossa aceitação fará toda diferença na qualidade de vida desse Autista. Dentro desses limitadores crianças não verbais podem desenvolver outros métodos de comunicação, suas convulsões podem ser controladas com apoio médico profissional e seu aprendizado pode ser ajustado conforme regras da neuro plasticidade.

Dentro da verdadeira realidade é que as crianças com maior probabilidade de melhora rápida e assertiva são aquelas cujos sintomas já são relativamente leves e não incluem questões como convulsões, atraso na fala, dificuldades de aprendizado ou ansiedade severa.  Em geral, portanto, as crianças com maior probabilidade de aparentemente "derrotar" o autismo são aquelas com QI normal ou acima do normal, habilidades de linguagem acentuadas e outros pontos fortes existentes.

É importante notar, porém, que deixar para trás um diagnóstico do espectro do autismo não é a mesma coisa que tornar-se "normal".  Mesmo crianças com funcionamento muito alto que parecem "superar" seu diagnóstico de autismo ainda lutam com uma variedade de questões de vários aspectos. observamos que tais indivíduos mantém ainda desafios sensoriais, dificuldades de comunicação social, ansiedade e outros problemas, que lhe direcionam aos diagnósticos primários após um novo período de acompanhamento como TDAH, TOC, ansiedade social ou uma reativação do Transtorno da Comunicação Social.

Então Jacson qual diferença entre "superação" e "radicalmente melhorando"?

Conforme observamos no DSM, qualquer pessoa que tenha sido diagnosticada corretamente com autismo sempre será autista, mesmo que não pareça ter sintomas de autismo. O fato de não estar apresentando nenhum sintoma significativo é uma prova de sua capacidade de " mascarar "ou"gerenciar " (Ou camuflar como gosto de falar) suas dificuldades cotidianas. Essa interpretação é compartilhada por muitos adultos funcionais que foram diagnosticados com autismo quando crianças. Uma pesquisa recente feita pela universidade de Oxford com mais de 2.000 Autistas chegou a seguinte indagação, unânime de todos os Autista avaliados "por dentro ainda sou autista, mas aprendi a mudar meus comportamentos e gerenciar meus sentimentos" também observamos que 89% de todos esses Autistas apresentam uma possível recaída, que pode ser sentida pela saturação emocional ou pausa em seus acompanhamentos e terapias.  Em outras palavras, há alguma visão básica que torna as pessoas autistas, e essa diferença básica não desaparece, mesmo que os sintomas comportamentais desapareçam.

Observamos aqueles que têm um ponto de vista muito diferente. A perspectiva deles: se uma pessoa não apresenta mais sintomas suficientes para um diagnóstico de autismo, ela superou (ou foi curada) o autismo.  Em outras palavras, as terapias funcionaram e o autismo se foi algo que é refutado não apenas pelas normativas mas pelos preceitos básicos de entendimento do sistema neural, quando colocamos os mais de 286 genes mapeados e replicados eles em escalas individuais não conseguimos idealizar tal afirmação do radicalmente melhorando, que enfatiza a famosa "Get off the spectrum" ou sair do Espectro, estudos mais aprofundados apenas reforçar que uma vez desenvolvido o processo neural não pode ser configurado em preceitos científicos onde em comparação temos dois fótons replicados em um espelho onde um deve tomar o lugar do outro, faz com que tal presença deixe de existir para que uma cópia tome seu lugar, algo ainda não superado pela atual ciência, podemos mesmo que pela ficção científica abordamos tais características inacessível pela série Altered Carbon.

Jacson então quem está certo?  Quando os sintomas não são mais óbvios para um observador externo, eles foram "superados"?  "curado?"  "mascarado?"

Como em muitas características relacionadas ao autismo, não há uma resposta absolutamente correta para essa pergunta.  Porém precisamos manter a coerência, sabendo utilizar o processo de investigação adequadamente, essa incerteza se estende ao âmbito profissional.  Sim, existem profissionais que removerão o autismo, dizendo "o autismo se foi".  E sim, existem aqueles que manterão a classificação, dizendo que "o autismo nunca desaparece verdadeiramente, embora seus sintomas possam não ser evidentes".  hoje ao escolher o seu médico profissional precisará ter esse cuidado, só assim você poderá obter a resposta adequada dentro das diretrizes primárias do DSM atual, mesmo que ainda abra precedentes para tais erros na investigação, entretanto novas formulações no âmbitos da psicologia, neuropsicologia, psiquiatria  e Neurologia reforçam a chegada de um novo DSM, intitulado como versão seis,  onde seu lançamento irá blindar tais características e reforçar diagnóstico avaliativo para o enquadramento do Autismo, tais pontuais reforçam que seu lançamento se dará em Dezembro de 2021, um mês antes da alteração do CID 10 para CID 11 incorporado e complementando processos de diagnósticos do Autismo, fontes de estudos consultadas pela Spectrum reforçam que tais ajustes avaliativos deverão ser mantidos por profissionais onde a sua classificação de saída do espectro deverá ser justificada com o Autismo sobre investigação, onde o profissional não deverá aplicar o enquadramento em caso de suposições, evitando tais desarmonia e desencontros nos processos avaliativos atuais.

Verywell explica aos pais de crianças com autismo geralmente ficam sobrecarregados com informações sobre "curas" que variam do irracional ao extremamente arriscado. Essas chamadas curas são baseadas em teorias sobre o autismo que não são suportadas por pesquisas.  É muito importante diferenciar entre tratamentos que podem e devem ajudar seu filho e aqueles que têm o potencial de prejudicá-lo.

Terapias como ABA, Denver, terapia lúdica, fonoaudiológica e terapia ocupacional podem fazer uma diferença positiva para o seu filho, assim como medicamentos para atenuar a ansiedade, gerenciar convulsões e melhorar o sono. já  tratamentos como quelação, câmaras de oxigênio, alvejantes e similares não são apenas ineficazes: são extremamente arriscados catalogados dentro de pseudoterapias ineficazes ao modelo internacional de atendimento.

Não devemos aqui unificar o tipo e nível  de autismo em um único pensamento sobre as dificuldades que uma mãe, pai cuidadores ou familiares têm com as diversas individualidades que o autismo apresenta pelo contrário devemos conscientizar e melhorar a acessibilidade a tratamentos, terapias, medicamentos e profissionais qualificados onde sua resposta a qualidade de vida seja efetivamente colocada em prática, sem promessas ou enquadramentos indevidos, embora a esperança (e a celebração de pequenas vitórias) seja sempre importante, também é senso comum deverá fazer parte de nossa trajetória ao lado do Autismo.

Autista Savant Jacson Marçal @jacsonfier no Instagram @jacsonfiertea no Facebook e Jacson Marçal Blogspot.

Reference:

https://www.spectrumnews.org Acessado em 24/06/2020 às 18:34.

https://www.verywellhealth.com/could-my-child-outgrow-autism-260591 Acessado em 25/06/2020 às 10:20.

https://www.autism.org.uk/about/in-education/exclusion/school-refusal-strategies.aspx Acessado em 25/06/2020 às 11:12.

https://www.sciencedaily.com/releases/2019/03/190312075923.htm Acessado em 25/06/2020 às 12:56.

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Autista - Savant., Ativista e Voluntário. Humanas, Neurociência Médica  pela University de Duke 2020, Especialização em Certificado Internacionalmente em Neurofeedback & Biofeedback pela Conselho Nacional de Neurociência 2019, Especialista em ABA

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