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Fase dos dois anos e a relação com o uso da órtese Dennis Brown

Fase dos dois anos e a relação com o uso da órtese Dennis Brown

 

Seu filho (a) está com dois anos e vem apresentando certa rebeldia? Piora um pouco na hora de colocar a órtese? Inventa maneiras de mudar a rotina? Já chegou a jogar a bota no chão, esconder ou coisa parecida? Fique tranquila (o), você não está sozinha (o). Meu filho está com dois anos e quatro meses e enfrentamos um novo desafio para essa fase: evitar as birras na hora de colocar a órtese para correção de seu Pé Torto Congênito (esquerdo). 

Costumo dizer que o tratamento quando a criança ainda é um bebê pode ser um pouco mais leve no sentido de manusear a criança, fazer as trocas de fraldas noturnas, organizar horários para colocação da órtese e lidar com o comportamento da criança. Bebês interagem, mas ainda não te desafiam. 

Conforme eles vão crescendo e ganhando entendimento do que o dispositivo representa para eles, nós, pais, adquirimos mais uma tarefa importante neste processo, o de explicar a eles tudo que estão passando, os motivos do tratamento, a importância do uso da órtese e da disciplina, sobretudo adaptações na hora de brincar. 

Talvez esse seja mais um momento para me reinventar como mãe durante o tratamento. Talvez seja o momento em que precise ter mais paciência, equilíbrio emocional e serenidade para lidar com os dias difíceis. Meu filho, agora, entende e me desafia. 

Na hora de colocar a órtese ele corre pela casa, espalha brinquedos na tentativa de ganhar tempo e é capaz de mudar nosso foco, meu e do meu marido, como se quisesse brincar com tudo que não brincou durante o dia. Brinca de esconder e, quando consigo pegá-lo e deixá-lo na posição de colocar a órtese, ele se contorce, ganha força maior que a minha, saí correndo e começamos tudo de novo. 

Nessa hora vale tudo. Canto, danço, sapateio, explico que ele precisa colocar a órtese e quando nada funciona dou o celular na mão dele para distraí-lo ou ligo para as avós, quase como um pedido de ‘socorro’.

Também tem aquele dia do nó na garganta, de não ser capaz de segurar as lágrimas. Sim, mesmo depois de dois anos e quatro meses de tratamento, ainda choro. 

Choro por não poder fazer nada além de ter disciplina para colocar a órtese. Choro por pensar que ainda temos um longo caminho pela frente.

Choro, às vezes, por me desesperar. Por vê-lo brincando e se movimentando com a órtese, indo a lugares da casa que tenho quase certeza de que vai ficar enroscado ou não conseguir chegar. E quando olho novamente ele já passou e encontrou uma maneira de ir, mesmo usando uma órtese. 

As lágrimas também são de alegria por saber que existe tratamento, que estamos no caminho certo e ele tem uma vida normal. Choro de emoção com a capacidade dele de superar quando nem ele mesmo sabe o que isso significa. Choro porque não acho que preciso ser e parecer forte o tempo todo. Me permito chorar sempre que dá vontade. Qual o problema nisso?

Os terríveis dois anos chegaram, mas talvez lá pelos três ou quatro surjam outros terríveis períodos e seja necessário aprender a lidar com eles. Penso que os terríveis dois anos não afetam somente as crianças, mas também os pais, que precisam de um tempo para aprender, se organizar e adquirir experiência. 

É uma fase  em que a criança se dá conta de que é um indivíduo e luta para conquistar o seu espaço – gritando, batendo nos outros ou se jogando no chão. Cabe a nós, pais, ter calma, paciência e ensinar que esse comportamento não leva a nada. Estabelecer limites faz parte deste pacote. 

O Martim, por exemplo, sempre foi obediente, um menino doce, mas com uma personalidade forte, persistente e questionadora. Hoje ele grita e nos contraria quando falamos não para alguma coisa que ele quer. Aos poucos, mostra seus desejos, opiniões e escolhas. Ele está se descobrindo, ganhando consciência e isso, com certeza, gera essa resistência a nós.  

Para enfrentar esse momento, não uso palmadas, tapas, puxões de orelha ou qualquer outro comportamento agressivo para tentar conter birras. Para TUDO, o melhor caminho é conversar com ele e tentar explicar de uma maneira que compreenda o próximo passo. Por exemplo: a hora do banho, a hora do almoço, do passeio, de guardar os brinquedos e o momento de colocar a órtese. Já percebi que ele tem a necessidade, assim como toda criança, de saber o que está acontecendo, como vai acontecer e quando acaba determinada situação. 

Ao longo da vida, tenho consciência de que meu filho, e o seu também, irão se deparar com diversos sentimentos de raiva, alegria e tristeza e serão constantemente testados, inevitavelmente. Por isso, é muito importante que aprendam na infância a lidar com esses sentimentos. 

Temos a responsabilidade de não poupá-los de situações frustrantes e explicar esses sentimentos, apontando caminhos para que consigam lidar com eles da melhor forma possível. 

Claro que essa fase não é uma regra. Algumas crianças demonstram mais intensamente que outras. Algumas levam o tratamento, em especial de Pé Torto Congênito, de forma tranquila. Enquanto outras choram durante parte do tratamento. 

A melhor forma de enfrentar essa e outras etapas que virão é ter paciência, entender que vai passar e que fomos escolhidos por eles para juntos encararmos o maior de todos os desafios da vida: o de educar e preparar esse serzinho pro mundo!   

Fonte de pesquisa: www.bebe.abril.com.br

 

Mundo Adaptado ®
Franciela Fernandes
Franciela Fernandes Seguir

Sou Jornalista, casada, mãe do Martim - um menino cheio de vontades, sorridente e dócil. Adoro conhecer e me emocionar com histórias de vida. Sei que temos muito a adaptar neste mundo nem sempre adaptável, mas podemos e devemos fazer a nossa parte.

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