O hantavírus é um grupo de vírus que vivem principalmente em roedores silvestres e pode causar doença em humanos quando há contato com secreções desses animais.
Período de incubação
O tempo entre o contato com o vírus e o início dos sintomas geralmente é de:
• 1 a 8 semanas; • em geral, 2 a 4 semanas.
Evolução clínica
Fase inicial (prodrômica)
• febre; • mialgia; • cefaleia; • mal-estar.
Fase cardiopulmonar
• tosse; • falta de ar; • edema pulmonar; • choque.
Em casos graves, alguns dias depois pode surgir a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que pode ter letalidade elevada, variando aproximadamente entre 30% e 40%, dependendo da rapidez do diagnóstico e do suporte intensivo.
• falta de ar intensa; • acúmulo de líquido nos pulmões; • queda de pressão.
Epidemiologia
• Paraná; • Santa Catarina; • São Paulo; • Minas Gerais; • Mato Grosso.
Na América do Sul existe a cepa Andes, encontrada na Argentina e Chile. Essa cepa é conhecida por possibilitar a transmissão entre humanos, algo extremamente raro.
Nas Américas predomina a forma cardiopulmonar. Na Europa e Ásia existem formas mais associadas a acometimento renal, chamadas de febre hemorrágica com síndrome renal.
Hantavírus Maria Ofelia Fatuch
Transmissão
A infecção ocorre principalmente pela inalação de partículas contaminadas com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Os roedores funcionam como reservatórios naturais do vírus e normalmente não apresentam doença.
Locais de maior risco:
• áreas rurais e silvestres; • galpões, celeiros e casas fechadas; • locais com presença de ratos silvestres.
No Brasil, a transmissão entre pessoas é considerada extremamente rara. A maioria dos casos ocorre por contato indireto com roedores infectados.
Profilaxia
• evitar contato com ratos silvestres; • não varrer fezes secas, usar água e desinfetante primeiro; • manter alimentos fechados; • usar máscara e luvas em limpezas de locais fechados; • manter alimentos bem armazenados; • controlar presença de roedores.
Vigilância de zoonoses
Existem programas de vigilância de zoonoses que capturam e analisam animais, principalmente roedores e morcegos, para monitorar doenças que podem passar para humanos.
Essas ações são feitas por órgãos como:
• Ministério da Saúde; • Fiocruz; • centros estaduais e municipais de vigilância epidemiológica.
Os técnicos podem:
• capturar ratos em áreas urbanas e rurais; • coletar sangue e tecidos; • testar presença de vírus e bactérias; • monitorar surtos.
Doenças monitoradas
• Leptospirose; • Raiva; • Hantavirose; • Febre maculosa e outras zoonoses.
É uma prática comum de saúde pública no mundo inteiro para prevenir epidemias.
Exames laboratoriais
• PCR (RT-PCR), é mais útil no início da doença; • Sorologia (IgM e IgG), procura anticorpos contra o hantavírus.
O IgM positivo geralmente indica infecção recente.
• Hemograma: leucócitos aumentados (leucocitose), desvio à esquerda, plaquetas baixas (trombocitopenia), hemoconcentração / hematócrito alto.
Às vezes:
- Linfócitos atípicos;
- Alteração de coagulação;
- Sinais de insuficiência renal ou pulmonar em exames complementares;
- Alterações pulmonares em raio-X ou tomografia.
No Brasil, os exames costumam ser feitos por laboratórios de referência ligados ao:
• Fiocruz; • Instituto Adolfo Lutz; • laboratórios estaduais de saúde pública.
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico é importante porque os sintomas no começo podem parecer:
Hantavirose → pulmão (falta de ar) Leptospirose → rins e fígado (icterícia) Dengue → sangramento e dor no corpo + manchas Covid 19 Influenza
Monitoramento dos contatos
• identificar pessoas que estiveram próximas; • orientar observação de sintomas por até 40 dias (período de incubação); • procurar atendimento se surgir febre ou falta de ar.
Por que não existe vacina?
• há diferentes tipos de hantavírus, principalmente na América do Sul, Europa e Ásia; • o vírus apresenta grande variabilidade genética, o que dificulta criar uma vacina única e eficaz; • a prevenção ainda depende principalmente do controle ambiental e da redução do contato com roedores.
Atualmente, a prevenção da hantavirose depende principalmente de medidas ambientais e de biossegurança.



