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Prematuridade e surdez: um longo caminho até o diagnóstico final

A Sabine nasceu prematura 30 semanas pesando 1390kg e 39cm. Ela ficou internada por 32 dias e não apresentava nenhum problema de saúde aparente. Não utilizou antibiótico e apenas aguardava alta para ganhar peso.

Perto da alta hospitalar fizemos o Bera, exame auditivo que mostrou alterações bilaterais. Por indicação medicação médica deveríamos repetir o exame após 15 dias. Refizemos e a alteração bilateral foi confirmada. Por indicação da fonoaudióloga que nos atendeu durante toda a internação na UTI Neo do Hospital Santa Catarina, procuramos o IPO – Instituto Brasileiro de Otorrinolaringologia para fazer outros e exames complementares como o de emissões oto acústicas e avaliação óssea do ouvido.

Esses exames também deram alterado e a perda auditiva estava sendo considerada severa com 70%de perda bilateral. A essa altura ela estava com 3 / 4 meses. Refizemos o Bera que ainda indicava grau severo para surdez. A fonoaudióloga nos informou que seria essencial o uso de aparelho auditivo, mas que no serviço particular custaria R$ 10 mil reais. Vendo nossa situação financeira, ela fez solicitação de um aparelho pela Santa Casa de São Paulo que estava em teste para a Sabine ir usando e não perder os balbucios. Com acompanhamento de fono e otorrino, a Sabine deu início ao tratamento aos 6 meses.

O aparelho da Phonak era de difícil uso em bebê, pois quando encostava para mamar o aparelho fazia ruído. Isso também se repetia no berço ou na cadeirinha do carro. Sempre tinha que prestar atenção. Ao mesmo tempo, foi feito levantamento de perda auditiva na família e meu sogro, meu cunhado e esposo apresentaram perda auditiva.

Repetimos o Bera de 2 em 2 meses e com 8 meses a alteração auditiva da minha filha passou de 70% biliteral para 50% direito e 60%esquerdo passando para perda moderado/severo. Nesse momento, tivemos que devolver o aparelho teste e entramos na fila da Funcraf em são Bernardo do Campo para conseguir outro aparelho e tratamento gratuito. Foi bastante demorado esse processo e com 1 ano e 4 meses repetimos o Bera constatando mais um ganho auditivo passando para perda leve/moderada com 45% de perda direita e 50%esquerda.

Seguimos com tratamento uma vez na semana com e ainda tínhamos apoio psicológico, de assistente social, pediatra, otorrino e fonoaudiólogo. Com 1 ano e 6 meses era preciso intensificar o tratamento com mais consultas de fonoaudiologia e nos indicaram o Complexo Padre Aldemar Moreira.

Com 1 ano e 10 meses voltei a trabalhar e coloquei a Sabine na escola para desenvolver ainda mais a fala e a audição. Com 2 anos e 2 meses ela colocou um dos aparelho na boca quebrando o mesmo. Nesse momento, me chamaram na escola e me disseram que a Sabine respondia igual às outras crianças da mesma idade. Diante dessa nova realidade, a levamos em um pediatra diferente e não falamos da surdez. Falamos apenas de alguma alteração ao nascer porque não queria influenciar o diagnóstico.

Levamos também a outro otorrino que no exame físico disse que estava tudo normal. A Sabine respondeu a tudo que ele solicitou e o médico pediu um novo um Bera apenas para ver se tinha alguma alteração. Fomos encaminhados para o ICO e fizemos o exame sem sedação apenas com Dramim desta vez. O resultado foi audição normal bilateral aos 2 anos e 4 meses! Com o resultado em mãos contei ao otorrino o motivo de eu ter omitido o tratamento.

Nos foi falado que poder ter sido uma perda auditiva causada por fatores externos como líquido amniótico ao nascer, uma sinusite com alterações nas vias aéreas ou até mesmo tempo de maturidade das células auditivas por conta da prematuridade. Fizemos o Bera agora com sedação no hospital Ruben Berta e o resultado permaneceu normal. Hoje com 4 anos e 6 meses vemos que ela desenvolve a fala no tempo dela com certo atraso e apresenta algumas dificuldades na escola.

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